sexta-feira, 27 de junho de 2014

O silêncio... sua eloquência!


Há milênios que os homens fazem ruído para encobrir o silêncio que há em si.

Há milênios que batucam, cantam, dançam para evocarem forças superiores a si próprios, para apoio... para fugirem de si... do seu próprio silêncio.

O silêncio interior é tão profundo quanto o silêncio do deserto...!                                 

Dizem que o silêncio interior é o mais difícil de suportar.

O homem tenta, às vezes, mas na maior parte... desiste... não aguenta... vai... segue em frente para novas aventuras... sempre fora de si próprio.

A nossa civilização não aprecia o silêncio e por isso não o cultiva... pelo contrário... fugimos a ele e quando no meio da nossa azáfama e por qualquer motivo surge uma pausa de silêncio, logo olhamos uns para os outros, perplexos, como se nos faltasse qualquer coisa.

Habituados às nossas máquinas musicais e falantes, logo nos encontramos sós e carregamos no botão mágico que nos restitui a nossa atmosfera pessoal.

Também vivemos uma cultura que preza muito as relações humanas e que se desdobra em contatos e palavras.

Rica em todas as espécies de comunicação, não somos, todavia, mais ricos em comunicabilidade. Não é a avalanche de palavras que, por si só, faz crescer a comunicação.

Essa falta de silêncio, porém, acaba por comprometer a própria palavra já que só são portadoras de espírito e humanidade as palavras que geramos e acalentamos no silêncio criador.

Tornamo-nos, assim, repetidores de frases feitas e lugares comuns, que nem sequer analisamos ou criticamos, porque não existe o tal silêncio de discernimento e de criação, que nos poderia proporcionar uma palavra original.

É por isso que o silêncio pode ser condição de eloquência e deve ser por nós cultivado como atmosfera necessária para uma comunicabilidade mais fecunda.

É por isso que não devemos multiplicar as palavras... mas antes os silêncios... os muitos silêncios onde cada palavra pode crescer e impor-se como uma comunicação inadiável... ditada pelo Amor... orientada para a Vida!

Finalmente...
                        O ruído serve para nos calarmos...
                        O silêncio serve para se Ouvir...
                        Só quem ouve é que Sabe...
                        Só quem sabe é que Intui...
                        Só quem intui é que Sente...
                        Só quem sente é que VIVE.

Semine Lux Pax
 em







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