quarta-feira, 21 de maio de 2014

O Otimismo e a filosofia esotérica



O Otimismo teosófico surge de
uma percepção correta do universo

A ética não pode ser estimulada com eficiência através de mera propaganda. Os comportamentos sutilmente desonestos são sintomas de um processo psicológico que deve ser compreendido. A atitude egoísta diante da vida - frequentemente disfarçada sob aparências “espirituais” - é uma forma de cegueira desnecessária.

Na ausência de uma visão correta de futuro, o comportamento humano é dominado por uma busca de satisfações de curto prazo. Problemas como crise ética, apego a rotinas, dispersão mental ou uma luta exagerada pelo poder estão associados à ausência de uma percepção adequada do futuro. Eles surgem porque não há uma compreensão do mistério do Tempo e do Carma.

A teosofia ensina que a vida pode e deve ser renovada a todo momento, individual e coletivamente. O renascimento interior é sempre possível. Quando o indivíduo e a comunidade veem as causas do sofrimento, a compreensão substitui a dor. A fonte central das aflições é a ignorância. Um projeto de vida correto é inseparável de uma clara percepção do tempo cíclico de longo prazo, incluindo o processo da reencarnação.

O passado, o presente e o futuro devem ser reconhecidos como aspectos diferentes de uma só Duração Ilimitada. O tempo é eterno e indivisível. Quando isso é percebido, a lei do carma pode ser compreendida e a doença do egoísmo encontra a sua cura no interior da alma. O aprendiz deve erguer-se acima das trivialidades pessoais. Então a sua visão de futuro se torna estimulante outra vez, o propósito da vida fica claro, as suas potencialidades positivas se tornam visíveis, o egoísmo não faz sentido, e o desânimo e a dispersão mental parecem não ter existido jamais.

Otimismo e Felicidade

A questão do otimismo em teosofia é fundamental, porque o significado da palavra “otimismo” é confiança no futuro, e o movimento teosófico existe, precisamente, para preparar um futuro melhor.

Toda verdadeira filosofia oferece a seus estudantes um caminho para a felicidade através do conhecimento do universo e do autoconhecimento. A teosofia não é uma exceção, e a sua visão de mundo é prática. O otimismo teosófico surge quando se compreende que a felicidade interior é um resultado natural do ato de viver corretamente.

Aquele que alcança um real conhecimento da lei da vida tem motivos sólidos para confiar no futuro, porque aprende a plantar o que deseja colher. Um antigo ditado recomenda:

“Plante uma ação, e colherá um hábito;
Plante um hábito, e colherá um caráter;
Plante um caráter, e colherá um destino.” [1]

O Caminho do Nirvana

O nobre óctuplo caminho ensinado por Gautama Buddha é o caminho para a felicidade ou nirvana. A teosofia só pode ser descrita como um caminho de sacrifício do ponto de vista do eu inferior, cujo mundo é ilusório.

O sofrimento é parte da vida porque a vida implica ilusão. Dukkha, dor ou aflição, é a primeira nobre verdade do Budismo. Ela deve ser vista logo no inicio, porque a sua correta compreensão é o ponto de partida no Caminho da bem-aventurança.

A filosofia esotérica não ensina apenas que para cada dor há uma lição, e frequentemente mais de uma. Ela também afirma que o aprendizado pode ser feito de modo consciente. Para viver com os olhos abertos, basta buscar sinceramente pelas Causas do sofrimento. No verdadeiro otimismo não há uma idealização emocional. A confiança no futuro requer atenção. A vigilância é o preço a pagar pelo discernimento, e o discernimento é a base da sabedoria e da felicidade.

Quando conhecemos o modo como a Vida funciona, percebemos que é possível confiar nela. O otimismo ensina a confiança em si mesmo e permite ao indivíduo preservar a sua felicidade interior apesar dos desafios.

Nenhuma dor é mais intensa que a lição ensinada por ela. A aflição humana não pode superar a bênção que a compensará em seu devido tempo. Um Mestre de Sabedoria escreveu:

“A natureza tem um antídoto para cada veneno, e suas leis possuem uma recompensa para cada sofrimento. A borboleta devorada pelo pássaro se torna aquele pássaro, e o pequeno pássaro morto por um animal alcança uma forma mais elevada. Esta é a lei cega da necessidade e da eterna adequação das coisas...” [2]

É verdade que o otimismo filosófico parece excessivamente severo para as mentes superficiais. Sendo profundo, ele não está preso ao plano das aparências. A confiança transcendente no futuro é uma fonte essencial daquela visão da vida que sustenta, por exemplo, o auto-sacrifício de longo prazo. É preciso ter um verdadeiro otimismo para dedicar sua existência a um ideal elevado, deixando de lado o apego ao conforto pessoal. E deve-se levar em conta que a verdadeira teosofia não é um anestésico. Ela elimina gradualmente a causa, e não apenas os sintomas, da dor humana.

Uma fonte decisiva de otimismo está na relação direta que há entre o indivíduo e o universo como um todo. A sabedoria antiga afirma que cada alma humana possui uma estrela inspiradora no céu, e um clássico teosófico acrescenta:

“Quando tiveres encontrado o começo do caminho, a estrela da tua alma mostrará sua luz; e por esta luz perceberás como é grande a escuridão em que ela brilha. (.....) Não fiques assustado nem aterrorizado por esta visão; mantém os teus olhos fixos na pequena luz e ela crescerá. (.....) Então tu começarás a compartilhar de um contentamento que traz, de fato, um trabalho terrível e uma profunda tristeza, mas também provoca uma satisfação grande, e cada vez maior.” [3]

Otimismo, em filosofia esotérica, não é alguma esperança ingênua. Ele surge da capacidade de compreender a vida infinita e de manter-se em harmonia com ela independentemente das circunstâncias externas. Todos os seres e situações existem no território da lei universal, e a chave da felicidade está em obter, por mérito próprio, uma ligação consciente com o que é ilimitado.

NOTAS:

[1] De um artigo intitulado “The Genesis of Evil in Human Life”, assinado por “I” e publicado na revista “Lucifer”, de Londres, edição de janeiro de 1889, pp. 373-78. A palavra “Lúcifer” significa “portador da luz”. É um nome da antiguidade para o planeta Vênus, a “estrela do amanhecer”. Desde a idade média, no entanto, o termo foi distorcido por teólogos desinformados e usado para justificar a tortura e o assassinato de pessoas - em nome de Jesus Cristo - por parte da igreja católica. Felizmente, desde o século 20 a igreja católica já não se atreve mais a matar e torturar pessoas.

[2] “Cartas dos Mahatmas”, Editora Teosófica, Brasília, 2001, dois volumes, ver Carta 88, volume II, p. 60.

[3] “Light on the Path”, Mabel Collins, Theosophy Company, Mumbai, India, 90 páginas. Este trecho foi publicado em “O Teosofista” de Outubro de 2011. Faz parte do texto intitulado “Quatro Regras Para o Caminho Místico”, naquela edição. A coleção completa de “O Teosofista” pode ser encontrada no website www.FilosofiaEsoterica.com, em seção temática própria.


Uma versão do texto acima foi publicada em inglês em outubro de 2011 pelos websites
e
Título: “Optimism in Esoteric Philosophy

Artigo originalmente publicado em
www.FilosofiaEsoterica.com








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