segunda-feira, 31 de março de 2014

Notas Sobre o Caminho da Liberdade


Como Focar a Mente no Que Há de Melhor

Certo dia, chegando em uma escola para participar de encontro de meia centena de educadores, me deparei com o desânimo e a indiferença de alguns que estavam presentes.  É certo que diariamente alunos encontram nas salas de aula profissionais com esse nível de energia. Este tipo de atmosfera compromete o campo da boa vontade, da criatividade e do ensino-aprendizagem.

Nos planos inferiores de consciência, seguimos um jogo de opiniões e desejos e nos comportamos como se fôssemos o centro do universo. É necessário dar boas-vindas ao ótimo que existe dentro de cada um de nós. Praticar serenamente a meditação e a auto-observação em função do auto-aperfeiçoamento, a partir de metas elevadas - são formas pelas quais assumimos a direção do processo.

Meditar é sair do círculo vicioso. Com a mente calma e o coração tranquilo, podemos alcançar clareza e as melhores soluções para os desafios da vida. Ao encontrar a paz em nossos corações, estabelecemos guias seguros para experiências soberanas e podemos exprimir formas novas e mais adequadas e elevadas de manifestação. Diante dessa plenitude, colocamos em movimento novas causas de bons acontecimentos.

A ciência milenar da meditação tem muito a oferecer, o que vem sendo comprovado pelos que a praticam regularmente. Cada vez mais a nossa sociedade reconhece ser a meditação de grande valia no auxílio da paz, na prevenção e controle de doenças. Ela pode ser uma experiência compartilhada, como quando meditamos com um parceiro ou em grupo nas reuniões em casa, classes, praças, auditórios, dentre outros. Sri Aurobindo, em seus textos sobre Ioga Integral, escreve a respeito da “Tripla Transformação” que pode ocorrer quando meditamos de forma correta. Essa transformação se produz pelo fluir da Consciência Superior, e é vivenciada como uma sensação de Paz, Poder e Luz. [1]

A prática da “Meditação em Sete Itens”, por exemplo, proporciona uma mudança realista e evolutiva dentro do indivíduo.  A meditação propõe que se  “amplie a ligação com o centro de paz”, e diz: “Tome a decisão de tirar lições deste ou daquele obstáculo; de manter humildade na vitória e coragem na derrota; de evitar dispersão ou agitação desnecessárias; de cumprir seu dever perante sua consciência.”[2]

 O estudo de bons livros, a visita a sites de referência, a participação em grupos de estudos de auto-desenvolvimento, com ação presencial ou a distância, são fatores que ampliam a nossa mente e nos direcionam para o trabalho altruísta que dá adeus aos apegos, à indiferença, à preguiça e ao egoísmo. É bom o trabalho em grupo que tem como lema a famosa frase “Um Por Todos, Todos Por Um” do escritor francês Alexandre Dumas. A ideia constitui “um ponto básico da pedagogia adotada desde a mais remota antiguidade pelos sábios e Iniciados do Oriente.” [3]

No prefácio ao “Glossário Teosófico”, de Helena Blavatsky (Ed. Ground, SP, p. 5), Murilo Nunes de Azevedo aconselha os verdadeiros buscadores do mistério das coisas a fazer uma espécie de preparação à magia da leitura:

“Leitor amigo, segure o livro cuidadosamente. Sinta o seu peso, volume, disposição gráfica, maciez ou rugosidade de suas páginas. Acaricie a sua capa lentamente, plenamente, consciente do que está fazendo. Fique algum tempo silencioso e concentrado no fato de estar segurando firmemente este exemplar. É importante, pois tem em mãos um texto profundamente significativo que poderá modificar a sua vida.” [4]

E ao modificar nossa vida modificamos a vida dos que estão ao nosso redor. Quando o pensamento prevalece, o poder pode ser encontrado.

O desperdício de energia é inaceitável em uma época em que o excesso de informações fúteis e perniciosas sufoca a capacidade de pensar, gerando poluição mental e violência. A divulgação da informação solidária abre caminho para a prática de uma nova ética. “Depois de algumas décadas de grandes transformações formais e tecnológicas, que parecem tentar disfarçar a falta de conteúdo real dos meios de comunicação, é possível que estejamos vivendo agora a madrugada de uma revolução de conteúdos que alterará, para sempre, a função social e o grau de compromisso ético do jornalismo. O presente trabalho é parte ativa deste processo. Ele coloca ao alcance do cidadão instrumentos práticos, individuais e coletivos, para que os meios de comunicação social possam cumprir seu papel em relação à construção de um futuro melhor.” [5]

Precisamos aprender e ensinar a não acreditar na máscara vestida da realidade: “A dor psicológica é um hábito e o ser humano se apega a ela. O indivíduo ingênuo se identifica com suas ‘feridas emocionais’ - normalmente associadas ao desejo - e se lamuria e se lamenta tanto diante dos outros como no seu discurso interno para consigo mesmo.” [6] 

Helena P. Blavatsky sabiamente disse: “Não ajas como se tivesses dez mil anos para desperdiçar. A morte está a um passo. Deves ser útil para alguma coisa enquanto viveres, e isso é algo que está ao teu alcance.” [7]

“As pessoas têm disposições harmoniosas e rebeldes que nascem na mente. Quando a mente é ordenada, a disposição é harmoniosa; quando a mente é desordenada, a disposição é rebelde”, explica o  Wen-Tzu. [8] No meio da crise essa luz no caminho auxilia na expansão das energias benéficas. Cada um deve procurá-la por esforço próprio e pelos meios que tem ao seu alcance.

De acordo com Erich Fromm: “A ética biófila  tem os seus próprios princípios sobre bem e mal.  Bom é tudo o que serve à vida. Mau é o que serve à morte. Bom é o sentimento de reverência pela vida, e por tudo o que aumenta a vida, o crescimento, o desenvolvimento. Mau é tudo o que enrijece a vida, que a torna estreita, ou que a corta em pedaços.  A alegria é virtuosa. A tristeza é um pecado.” [9]

Tudo que promove a sabedoria e evita estimular as causas do sofrimento funciona como mágica, e os obstáculos que pareciam imutáveis se dissolvem. O propósito da vida é expandir-se a partir de sua fonte, em pura consciência.

Nós devemos pensar sobre o modo que pensamos, sentimos e agimos, a fim de contribuir para o progresso individual e humano. Essa atitude deve ter início em cada um de nós, para que a ação errada devido ao desconhecimento possa ser corrigida através do conhecimento e da compreensão da verdade. O desafio é tornar a vida mais consciente do seu objetivo interior. Podemos perceber que a consciência está tentando se expressar e deixar que ela se manifeste. A consciência contém tudo que precisa para regular a vida e estar vivo é ser dinâmico. A educação tem um papel importante nesse processo.

Aos poucos o indivíduo desperta sua consciência para a busca da sabedoria a um nível superior de percepção.  Khalil Gibran, com seu dom de purificar  e elevar a consciência humana diz que “o espírito em cada ser se manifesta pelos olhos, pelo semblante e por todos os gestos e atitudes do corpo. Nossa aparência, nossas palavras, nossas ações nunca são maiores que nós próprios. Pois a alma é nossa casa; nossos olhos, suas janelas; e nossas palavras são suas mensageiras.” [10]

A vida é uma responsabilidade que todos nós compartilhamos e isso inclui o cumprimento do nosso dever. A visão elevada deve permanecer mais forte que os sentimentos rotineiros:

“Viver é um ato de confiança.  Confiar é saber que a vida prossegue infinitamente, e que ela avança de modo vitorioso, distribuindo dádivas e retribuindo as ações conforme o que é plantado no plano individual e no plano coletivo, nos vários níveis e aspectos da vida.” [11]

Precisamos perseverar no estabelecimento do pensamento, sentimento e ação corretos independente das circunstâncias externas. Deste modo passamos a viver em unidade e descobrimos que somos ao mesmo tempo seres individuais e universais, co-responsáveis pelo avanço da civilização e nos sentiremos completamente seguros num universo benigno e generoso.

Regina Maria Pimentel de Caux

NOTAS:

[1] “Meditação”, Pam e Gordon Smith, Editora Rocco, p. 10.
[2] “Meditação em Sete Itens”, Carlos Cardoso Aveline. Artigo disponível em www.FilosofiaEsoterica.com
[3] “Um Por Todos e Todos Por Um”, Carlos Cardoso Aveline. Texto disponível em www.FilosofiaEsoterica.com 
[4] “O Despertar da Leitura”, artigo de Regina Maria Pimentel de Caux publicado em www.FilosofiaEsoterica.com
[5] “A Informação Solidária”, Carlos Cardoso Aveline, Editora Edifurb, Blumenau, p. 8.
[6] “O Poder de Abençoar”, artigo de Carlos Cardoso Aveline disponível em www.FilosofiaEsoterica.com
[7] “Preceitos e Axiomas do Oriente - 5”,  H.P. Blavatsky, disponível em www.FilosofiaEsoterica.com
[8] “Wen-Tzu, A Compreensão dos Mistérios”, Tradução do chinês Thomas Cleary, Tradução do inglês, Carlos Cardoso Aveline, Editora Teosófica, ver p. 78.
[9] “Carl Jung, a Ética e a Psicologia”, Erich Fromm, artigo disponível em www.FilosofiaEsoterica.com
[10] “Conversas na Biblioteca”, obra de Carlos Cardoso Aveline, Editora Edifurb, Blumenau, ver p. 133.
[11] “Confiar na Vida e em Si Mesmo”, Carlos Cardoso Aveline. Artigo disponível em www.FilosofiaEsoterica.com


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