sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A Vontade Criativa


O Trabalho dos Irmãos Mais Velhos da Humanidade

É impossível compreender ou explicar a natureza de qualquer ser exceto através da Evolução, que é sempre um desenvolvimento de dentro para fora, isto é, a expressão do espírito ou da consciência através da inteligência adquirida. A vontade do espírito produziu tudo o que existe.

Se nós entendermos que a vontade inteligente está na base de tudo o que existe, que ela é a causa de tudo o que ocorre e é a Criadora no Universo, talvez possamos ter uma ideia do que é necessário saber para usar adequadamente as nossas energias.

Nós todos existimos como criadores no meio das nossas criações. Há criadores abaixo de nós na escala da inteligência. Estamos em outro lugar, com uma visão mais ampla, um fundo maior de experiência adquirida; assim, podemos ver que abaixo de nós, infinitamente abaixo de nós, há seres tão pequenos que muitos deles poderiam ser reunidos na ponta de uma agulha. No entanto, os cientistas, depois de examiná-los de muitos modos, não podem negar que estes organismos infinitesimais possuem uma certa inteligência, uma capacidade de procurar o que gostam e de evitar o que não gostam. A partir do menor ponto de percepção e ação que se possa conceber, há um campo sempre crescente de expressão, de evolução, um desenvolvimento cada vez maior na direção de uma escala mais ampla de existência. Esta evolução da inteligência, ou alma, ocorre muito lentamente nos reinos inferiores, ganha mais rapidez no reino animal, e no homem ela atinge aquele estágio em que o próprio ser sabe que existe, sabe que é consciente, sabe que pode entender até certo ponto sua própria natureza e a natureza dos seres abaixo dele, e ver as relações deles entre si.

O homem atingiu agora um ponto em que começa a se perguntar o que mais existe que ele possa conhecer. Ele deixou de pensar exclusivamente nas coisas materiais; ele está percebendo sua própria natureza, e pergunta: “o que sou eu, de onde venho e para onde vou?”

Se temos estas ideias, podemos perceber que deve ter havido no passado alguns seres humanos que se fizeram estas mesmas perguntas que estamos fazendo, e que deram os passos necessários para chegarem a um nível mais elevado de experiência do que aquele em que estamos agora. São estes mesmos seres, agora mais elevados que nós, que formam uma camada de consciência, de conhecimento e de poder, que nós não temos - homens que passaram pelos estágios em que estamos agora. São eles que de tempos em tempos vêm a este mundo como Salvadores.

Se somos cristãos, olhamos para o advento de um destes Seres, no passado, e pensamos que Ele é único. No entanto ele veio, em Seu tempo, apenas para uma pequena nação; ele mesmo disse que veio apenas para os judeus. Por acaso não sabemos que todas as civilizações e todas as tribos que existiram em qualquer tempo sempre tiveram registros similares sobre algum grande Personagem que surgiu entre eles?

Em todas as religiões há o registro e a tradição de algum grande Personagem. E nós descobrimos um fato assombroso ao estudar as escrituras e os ensinamentos de outras épocas: todos estes grandes Professores ensinaram as mesmas doutrinas. Não há diferença entre os ensinamentos de Jesus e os ensinamentos de Buddha, embora estejam registrados em línguas diferentes e um período de tempo de seiscentos anos tenha separado os dois grandes Professores. E este fato também ocorre em relação a todos os outros numerosos Salvadores de diferentes épocas e povos – todos eles ensinaram as mesmas ideias fundamentais.

Este fato sugere que há um conjunto de Homens, de seres humanos aperfeiçoados, que resultaram de evoluções e civilizações passadas; nossos Irmãos Mais Velhos, na verdade, que adquiriram e são os Guardiães do conhecimento e da experiência obtidos ao longo de longas eras. O conhecimento que eles têm é de fato a própria Ciência da Vida, porque inclui cada departamento da existência, da natureza. Eles conhecem a realidade e os processos dos seres abaixo do homem e acima do homem assim como nós conhecemos os processos da vida comum da experiência diária. Eles registraram e preservaram este conhecimento, e lembram dele do mesmo modo como nós lembramos das experiências e acontecimentos do dia de ontem.

Eles não ampliaram o seu poder de saber. Cada um de nós tem o mesmo poder de saber que eles possuem. Mas eles ampliaram as funções dos instrumentos que possuem. Eles melhoraram o que possuem. Eles têm cérebros melhores. Têm corpos físicos melhores. Como os adquiriram? Fizeram isso através do cumprimento de cada dever colocado diante deles, fossem quais fossem as consequências para eles próprios. Não pensavam em adquirir poder e conhecimento para si mesmos; pensavam apenas em obter poder para beneficiar todos os seres vivos. Ao fazer isso, abriam as portas do poder do Espírito interior.

Nós fazemos exatamente o oposto. Contraímos o poder divino do Espírito e o colocamos dentro de buracos do tamanho de cabeças de alfinete, feitos de desejos pessoais e egoísmo. Não vemos isso? Não vemos que nós próprios impedimos o uso do poder dentro de nós, porque nossas ideias são egoístas, pequenas, mesquinhas?

O grande trabalho da evolução ocorre de dentro para fora. A Alma é o Observador; ela olha diretamente para as coisas. A ação da vontade flui através das ideias. As ideias dão as direções. Com ideias pequenas, a força é pouca; com grandes ideias, a força é grande; a Força em si mesma é ilimitada, porque é a força do Espírito, infinita e inesgotável. O que nos falta são ideias universais. Necessitamos despertar em nós mesmos o poder de percepção que irá abrir diante de nós todo o campo do ser. Uma corrente não pode erguer-se acima da sua fonte.

A natureza do homem nunca pode ser compreendida, nem sequer parcialmente, através das ideias e dos métodos que os psicólogos e cientistas modernos, e as religiões populares, têm seguido. Todos eles operam a partir da vida física, e muitos deles acreditam que haja uma vida apenas. Eles registram e classificam muitos tipos de experiências, sem qualquer base firme sobre a qual colocar o seu pensamento, a sua razão, e assim nunca chegam a qualquer conclusão definida ou conhecimento real sobre o que é o ser humano, ou sobre os poderes que o ser humano pode ter. Este é o uso que eles fazem do poder criativo, mas é um uso limitado, é um mau uso. Aqueles que seguem este caminho normalmente têm algum propósito egoísta na base do seu desejo; há alguma coisa ou alguma vantagem que desejam alcançar para si mesmos. Este não é o caminho correto.

A teosofia afirma que se o desejo e a aspiração forem inegoístas, nobres, universais, então a força que flui através do indivíduo será grande, nobre e universal em seu caráter. Afirma também que cada ser humano possui em si mesmo os mesmos elementos e as mesmas possibilidades que qualquer outro, inclusive os seres mais nobres e mais elevados neste sistema solar ou em qualquer outro. Isso coloca o ser humano em uma posição muito diferente de onde ele é colocado pelas nossas religiões, nossa ciência, ou nossa filosofia ocidental.[1] Todas elas tratam o homem como se ele fosse seu corpo ou sua mente, como se ele fosse a criatura, e não o criador.

O corpo muda; nós mudamos as nossas mentes; mas há Alguma Coisa em nós que não muda, que não depende de mudanças, sejam mudanças do corpo, da mente ou das circunstâncias; este Algo é o criador, o governante, o vivenciador de todas as mudanças de qualquer tipo. É esta parte da nossa natureza – o real Ser Humano dentro de nós – que devemos conhecer em sua essência. Se pudermos atingir um ponto de percepção que nos permita captar o fato que é a presença do Espírito dentro de nós, teremos alcançado um ponto em que é possível um conhecimento de nós mesmos; e se tivermos um conhecimento de nós mesmos, então teremos, através dele, um conhecimento de todos os outros seres.

Os grandes Professores destacam o fato de que a base real da natureza humana é a Divindade, o Espírito, Deus. A Divindade não é algum outro ser, por maior que seja. Não é algo externo. Ela é o que há de mais elevado em nós mesmos e em todos os outros. Isso é o Deus, e tudo o que qualquer homem sabe deste Espírito é o que conhece em si mesmo, de si mesmo, e através de si mesmo. Esta é a ideia que todos os antigos expressam ao dizer que há apenas um Ser, e que devemos ver o Ser em todas as coisas e todas as coisas no Ser. Isto é o que todos nós fazemos até certo ponto; nós vemos o Ser, mais ou menos. Nada é visto fora de nós; tudo o que nós vemos ou sabemos está dentro de nós. Mas nós pensamos no Ser em nós como algo mortal, perecível, como se ele não tivesse existência fora deste corpo e desta mente, e como se ele fosse algo separado de todas as outras formas do Ser.

Se tivéssemos dentro de nós e como nosso alicerce todo o poder que existe no universo, e não tivéssemos um canal pelo qual aquela energia pudesse fluir – ou tivéssemos apenas um canal estreito, torcido e distorcido – aquele grande Poder não seria útil para nós. Seria como se não existisse. Para abrir o canal é preciso entender a base real: o Deus interior, imortal e eterno, a Fonte de todo ser, os nossos verdadeiros seres; e em segundo lugar, entender que toda ação procede daquela Fonte e Centro do nosso ser e de todos os seres.

Quem é, então, o construtor de tudo? Como foi provocada toda esta evolução? Todos os seres envolvidos nela fazem tanto o mundo como os seus habitantes. Tudo o que existe é auto-produzido, auto-evoluído – a criação dos seres espirituais atua em cada um, sobre cada um, através de todos eles, reciprocamente. A força inteira da evolução, e todo o poder que está por trás dela, é a vontade humana, no que diz respeito à humanidade. Nós não compreendemos que toda forma ocupada por qualquer ser é composta de Vidas, cada uma delas passando por uma evolução própria, ajudada, impelida ou dificultada pela força da forma mais elevada de consciência que a gerou. Porque este universo é Consciência ou Espírito corporificados. E assim como uma só gota de água contém dentro de si todos os elementos e características do oceano inteiro, assim também cada ser, por mais baixo que seja o seu grau de inteligência, contém dentro de si a potencialidade e a possibilidade daquilo que é de suprema elevação. A vontade do Espírito em ação produziu tudo.

A grande mensagem da teosofia tem dado a cada buscador interessado o meio pelo qual ele pode conhecer a verdade sobre si mesmo e sobre a natureza. Assim como os Irmãos Mais Velhos ajudaram no passado, eles têm ajudado no presente. Tudo o que a humanidade necessita foi dado a nós. Mas como você consegue transmitir a alguém aquilo que ele não quer? Como você consegue fazer com que entre na mente de alguém o que a mente não deseja receber?

É preciso que haja uma mente aberta, um coração puro, um intelecto ardente, uma clara percepção espiritual, antes que haja qualquer esperança para nós. Enquanto nós estivermos centrados em nós mesmos, enquanto estivermos satisfeitos com o que sabemos e com o que temos, esta grande mensagem não será para nós. Ela é para os famintos, os cansados, para aqueles que estão desejosos de conhecimento, para aqueles que vêem a absoluta escassez daquilo que foi colocado diante deles como conhecimento por parte daqueles que se apresentam como professores. Ela é para aqueles que não encontram uma explicação em parte alguma para os mistérios que nos rodeiam, que não conhecem a si mesmos, que não compreendem a si mesmos. Para eles, há um caminho; para eles há alimento mais do que suficiente; para eles todo este Movimento é mantido vivo por uma única vontade, a vontade dos Irmãos Mais Velhos, que têm preservado estas grandes verdades eternas através de momentos melhores e piores, de modo que a humanidade pudesse ser beneficiada; sem desejar recompensa alguma, sem desejar qualquer reconhecimento, mas desejando apenas que os Seus companheiros de humanidade, Seus irmãos mais jovens, possam conhecer, possam compreender o que Eles sabem.

Robert Crosbie

NOTA:

[1] Robert Crosbie se refere aqui à filosofia ocidental recente. O problema não ocorre com a filosofia ocidental clássica. (NT)


O texto acima é reproduzido do boletim mensal “O Teosofista”, edição de julho de 2008.

O texto foi traduzido do livro “The Friendly Philosopher”, de Robert Crosbie, Theosophy Company, Los Angeles, USA, 416 pp., 1945, pp. 268-273. Título original: “The Creative Will”.

O pensador Robert Crosbie fundou a Loja Unida de Teosofistas, LUT, em Los Angeles em 18 de fevereiro de 1909.

fonte:
http://www.filosofiaesoterica.com/







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