domingo, 2 de outubro de 2011

Orientalismo V - Yoguismo - Parte I




A YOGA ATRAVÉS DO TEMPO

DEFINIÇÃO:

"Conjunto de técnicas que podem ser utilizadas para o desenvolvimento da saúde física, mental e psíquica da personalidade humana, assim como para controle do estresse, maior eficiência nas atividades do dia-a-dia, melhor qualidade do descanso e para um progressivo equilíbrio interior." 

É assim que o Yoga geralmente é visto no Ocidente.


OBJETIVO:

Todavia, o objetivo maior do Yoga, como ciência do autoconhecimento, é a libertação progressiva da consciência, através de técnicas meditativas superiores, constantes da preciosa obra sânscrita Yoga-Sutras (século IV a.C.), do filósofo e sábio hindu Patânjali.

TIPOS:

Há diferentes tipos de Yoga que se adaptam a diferentes tipos de personalidade. Historicamente, o mais significativo ramo do Yoga é o Sistema Clássico de Patânjali, também chamado Raja Yoga ou Yoga Darshana. Existem inúmeros outros tipos de Yoga, muitos deles não-sistemáticos, geralmente misturados com conceitos populares. O tipo de Yoga atualmente mais praticado no Ocidente é o Hatha Yoga.



Hatha Yoga: a via do aperfeiçoamento do corpo psico-físico
Raja Yoga: a via do domínio amplo da mente
Karma Yoga: a via da ação desapegada, para o prático
Bhakti Yoga: a via da devoção, amor autruísta, para os religiosos
Jnana Yoga: a via do conhecimento, para o intelectual;
Tantra Yoga: a via do controle das energias sutis, sexuais, para a realização do conhecimento puro
Mantra Yoga: a via do controle da mente pelo domínio dos sons (interiores e exteriores).


Yantra Yoga: estuda formas geométricas e símbolos.
Yoga Criktsa: yoga terapêutica.
Kundalini Yoga: yoga do poder do fogo ígneo.
Kryia Yoga: yoga da purificação, etc.
Purna Yoga: yoga integral, a síntese de todas as linhas do yoga.

ETMOLOGIA:

A palavra yoga vem da raiz sânscrita yuj que significa atrelar, unir, juntar.

Seria então a união do ser individual (jivatman) ao Ser Supremo (paratman)


O QUE É A YOGA?

Podemos considerar o Yoga como a ciência da educação integral.

O Yoga é um processo que possibilita despertar, descobrir e transformar o ser humano em todos os seus aspectos. É um caminho para a transformação pessoal, cultural e universal.

O Yoga possui inúmeras técnicas e preceitos filosóficos que ajudam o homem em seu processo de transformação.

A história da Yoga se perde nos milênios, é considerada filosofia-religião e é a soma da evolução de várias épocas. O sacrifício e o esforço individual preconizados nos ensinamentos de Yoga tem a sublime finalidade: a liberação de Agni, o fogo da vida. 

Mas os mestres advertem sobre a difusão da Yoga:

"Que ninguém a ensine a quem não tenha pacificado o seu espírito”.

ORIGEM DA YOGA:



Pesquisadores indicam a origem do Yoga há 5.000 anos, na civilização Harapeana.

Os primeiros vestígios da civilização de Harappa foram encontrados pelo arqueólogo inglês Alexander Cunningham no final do século 19. Suas descobertas deram origem a diversos trabalhos arqueológicos que se estenderam ao longo do século 20, e que determinaram os traços de uma grande civilização na região do vale do Indo. Ela recebeu o nome de harapeana em referência aos dois dos primeiros e mais importantes sítios arqueológicos descobertos no local: as cidades de Harappa e Mohenjo-Daro.

Nessas escavações foi encontrado um selo mostrando um homem em posição de meditação, o que indica que alguns hábitos relacionados ao Hinduísmo e ao Yoga já existiam nessa civilização.

O período áureo dos harapeanos ocorreu entre 2700 a.C. e 1900 a.C. No entanto, é importante observar que nos sítios arqueológicos da região foi descoberta a cidade de Mehgarh, com traços da cultura harapeana e datando de 6000 a.C.

Além dos trabalhos arqueológicos terem determinado a presença de civilização urbana anterior à invasão dos arianos, alguns hinos do Rig Veda fazem referências à regiao do Vale do Indo como assentamento de povos védicos, datados de 2600 a.C.

No entanto, a notável cultura das metrópoles de Harappa e de Mohenjo-Daro, no vale do Indo, parece ter simplesmente desaparecido entre 1800 e 1500 a.C., na mesma época em que ocorreu a invasão dos arianos. A história convencional tenta explicar o fato citando um possível cataclismo que teria varrido do mapa essa civilização, mas existem versões segundo as quais, ao chegarem à região, os árias teriam encontrado as cidades abandonadas.

Convencionalmente, a história determina que os arianos invadiram a região por volta de 1500 a.C., subjugando facilmente a civilização harapeana, de etnia dravídica, de pele mais escura. Os invasores teriam imposto seu idioma e as bases do Hinduísmo, e absorvido as bases do Yoga e traços culturais locais, o que teria resultado, com o tempo, no desaparecimento dos harapeanos.

Até o século 19, o conceito de ariano não era associado a etnia ou superioridade de raças. O termo ária (ârya) se referia a uma cultura e à base idiomática comum de povos ligados ao sânscrito. A ideia de arianos de pele clara combatendo drávidas de pele escura surgiu na Europa durante o século 19, provocando o separatismo étnico.

As RAÍZES DO YOGA se encontram no xamanismo arcaico, e sua evolução se prende ao desdobramento de expressões culturais da Índia, como o Hinduísmo, o Budismo e o Jainismo.

As práticas mais antigas do Yoga são encontradas no livro sagrado do Hinduísmo, os Vedas, composto de quatro hinários em sânscrito: Rig, Yajur, Sama e Atharva.

Veda significa "conhecimentos", "aquilo que foi visto".

Os hinários são considerados a forma mais antiga de literatura da Índia e da humanidade. Segundo algumas pesquisas, foram compostos mais de quatro mil anos antes da nossa era.

O Rig Veda é uma coleção de 1.028 hinos, escritos em sânscrito, organizados em dez livros, conhecidos como mandalas. Academicamente, entende-se que teria surgido por volta de 1500-1200 a.C. No entanto, as pesquisas arqueológicas no vale do Indo durante o século 20 sugerem sua criação no terceiro milênio a.c.

Os hinos revelam, entre outras coisas, as crenças, costumes e a cultura dos antigos habitantes da Índia, incluindo encantamentos e orações dirigidas aos deuses e forças da natureza. A obra compreende as sementes de todas as formas de pensamento que surgiram na Índia ao longo de sua história, o que deu origem ao bramanismo e, mais tarde, ao Hinduísmo, incluindo o Yoga.

No Rig Veda, o termo yoga e o seu radical yuj surgem com frequência, geralmente associados à submissão ou à disciplina, além de se referirem a idéias e práticas do Yoga, embora de forma não-sistematizada. Nele existem descrições detalhadas do corpo sutil, kundalini e os sete chacras, que deram base para os diferentes Yoga tântricos.

Existem também referências ao Yoga em outro hinário védico, o Atharva-Veda (Conhecimento de Atharvan), repleto de encantamentos mágicos, com hinos de significado metafísico e espiritual. Atharvan era um rishi (sábio, vidente), membro de uma família de videntes dos tempos védicos. Alguns pesquisadores acreditam que a obra é mais recente que o Rig Veda, mas existem especulações de que provavelmente tenha sido compilado no terceiro milênio a.c. No seu 15° livro existem informações importantes sobre irmandades vrâtyas que desenvolveram as primeiras práticas de Yoga.

O HINDUÍSMO é baseado na tradição sagrada dos brâmanes (brâhmana). Sua história remonta à época do Rig Veda, e sua sabedoria e conhecimento estão contidos nas quatro coleções de hinos védicos conhecidos como Vedas.

O Hinduísmo pode ser dividido em oito períodos

A Era Védica foi do quarto milênio a.C. ao ano 2000 a.c., e se baseou nos ensinamentos do Rig Veda.

A Era Bramânica se estendeu até 1500 a.C., e foi marcada pela literatura ritual Brâhmana. De 1500 a.C a 500 a.C., o Hinduísmo viveu a Era dos Upanishads, com os ensinamentos contidos nos Upanishads, a primeira literatura mística na Índia. A partir desse período até o ano 200 ocorreu a Era Épica, influenciada pela epopeia Mahabharata (Mahãbhârata), que contém a mais bela obra sobre o Yoga.

A Era Clássica se estendeu até o ano 800, e marcou a cristalização das escolas filosóficas dos períodos anteriores e a composição do Yoga Sutra. 

De 800 a 1500, a Era Tântrica marcou um novo estilo cultural influenciado pela literatura dos Tantras. 

De 1500 a 1700, a Era Sectária foi determinada pelo movimento bhakti, o auge das aspirações monoteístas.

A Era moderna do Hinduísmo teve início a partir de 1700, com o colapso do império mongol e o início do domínio britânico na Índia. No final do século 19, o Hinduísmo entrou numa fase de renascimento e passou a ser mais divulgado no Ocidente.

Atualmente, o Hinduísmo possui mais de 700 milhões de seguidores em todo o mundo, com o seu conglomerado de culturas religiosas.

O BUDISMO foi criado por Gautama, o Buda. Além de ser uma tradição espiritual oriental, desenvolveu suas próprias escolas de Yoga.

As escrituras sânscritas do Budismo Mãháyana se referem a Siddhârta Gautama, o Buda, como um iogue (yogin). Ele teria estudado com mestres conhecidos em sua época e, segundo algumas teorias, teria alcançado o estado místico que eles propunham como forma suprema de iluminação.

Para Buda, a libertação seria alcançada por meio do nobre caminho óctuplo, que compreende: visão correta, decisão correta, fala correta, conduta correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção correta e concentração correta.

A natureza iogue do caminho de Buda se torna evidente pelo uso de técnicas de posturas asanas, ou ás sanas (âsanas), e controle da respiração pranaiama (prânâyârna). As doutrinas originais budistas sugerem um tipo agnóstico de Yoga que tem como meta a "extinção", o nirvana (nirvâna). Os sutras do Budismo Màhãyana equilibram a "extinção" com o ideal da "compaixão" (karunâ).

O Jainismo é uma tradição espiritual fundada por um contemporâneo de Buda, Vardhamâna Mahávira. No entanto, suas raízes históricas atingem um passado remoto. Suas escrituras citam a existência de uma linhagem de 24 mestres, dos quais Mahâvira foi o último. O Jainismo aspira a realização da mais elevada perfeição, a pureza original, que é livre de toda a dor, sofrimento e cativeiro de nascimentos e mortes.

A espiritualidade do Jainismo e o seu rigor influenciaram muitos aspectos do Yoga, principalmente por defender a "não violência" (ahimsâ) e os ensinamentos ligados a moral (karma). 

Muitos dos estudiosos e escritores jainistas articularam e criaram ideias muito semelhantes às do Yoga. Em 750, Haribhadra fez uso, em sua obra, de codificações dos trabalhos de Patanjali (gramático, escritor e autoridade do Yoga).

DESENVOLVIMENTO DA YOGA

1 - YOGA ARCAICO (PROTO – YOGA)

O período inical do YOGA pode ser reconstruído a partir de vestígios arqueológicos das cidades encontradas na região do rio Indo (3000 a 1800 a.C.), da civilização do rio Sarasvati (Harappa)  e elementos contidos nos quatro hinários védicos. Por si só, o material arqueológico não comprova a prática do Yoga nessa época, mas demonstra a existência de uma cultura rica em rituais que tinham muitas concepções que serviriam de suporte à existência de um Yoga arcaico.

Nessa fase, os rishis (videntes) tinham visões ao realizar seus rituais. Segundo pesquisadores, foram eles quem redigiram os hinos védicos, em estado alterado de consciência. Há vestígios da prática da meditação nessa época, principalmente com o uso de mantras. Seus praticantes utilizavam técnicas de meditação, controle da respiração por meio do canto dos hinos, invocação de deuses com determinadas expressões e posturas físicas.

2 - YOGA PRÉ-CLÁSSICO

Essa etapa teve início com os primeiros Upanishads (palavra composta por sat, "sentar", upa e ni, significando "sentar-se perto do próprio mestre"), um gênero de literatura hindu desenvolvido por volta de 1500 a.C. Representavam um refinamento dos ensinamentos espirituais dos antigos Vedas, com a ' "interiorização mística" da noção de "sacrifício".

Considerados ensinamentos secretos, os Upanishads apresentavam quatro temas em sua metafísica, intimamente relacionados. Em primeiro lugar, transmitiam o ensinamento de que o âmago transcendente de um ser (âtman) é idêntico ao âmago transcendente do universo (brahman).

A doutrina da encarnação repetida dos seres humanos era o segundo tema desenvolvido. Havia ainda o ensinamento do carma e da retribuição, que explicava os efeitos metafísicos das atitudes das pessoas. O último preceito revelava que a produção de carma e reencarnações futuras dependiam de práticas espirituais, principalmente ligadas à meditação e renúncia.

3 – YOGA ÉPICO

Às vezes também conhecido como pré-clássico, o Yoga Épico abrange o período de 500 a 200 a.C. Nesse período desenvolveram-se os Upanishads. Grande parte da coleção é formada por testemunhos de sábios que viviam à margem do bramanismo ortodoxo, recolhidos numa forma de vida contemplativa.

Todos os Upanishads são considerados revelações sagradas (shruti) e pertencem à parte da sabedoria (jánna-kanda), em oposição à parte ritual (karma-kanda) da herança védica.

Além dos Upanishads, a epopeia Mah.abh.arata, em seu sexto livro, traz a mais famosa escritura do Yoga, o Bhagavad Gita (Canção do Senhor), que retrata um diálogo entre o deus Arjuna e o Homem Deus Krishna. O Gita trata de Karma Yoga, Jnana Yoga e Bhakti Yoga de forma não-sistematizada.

4 - YOGA CLÁSSICO

O Yoga Clássico teve início por volta do ano 200 d. C e tem como texto mais importante o famoso Yoga Sutra (Yoga Sútra), escrito pelo sábio Patanjali. Nele, o mestre expõe um pensamento dualista no qual a matéria (prakriti) e o espírito (purusha} são unidades separadas e distintas, diferindo, portanto, das escolas não dualistas. Essa escola de pensamento é conhecida como Yoga Darshama ou Raja Yoga.

Além do Yoga Sutra de Patanjali, as principais obras do Yoga Clássico são: Yoga Bhashya, de Vyasa (500); Tattva Vaisharadi (900); Raja Martanda, do rei Bhoja (1100); Sarva Dharshana Samgraha (1400); e Vivarana, de Shankara Bhagavatpada (sem época definida).

O Yoga Sutra trouxe uma interpretação da filosofia e da prática do Yoga que estimulou outros autores e estudiosos a elaborar as idéias metafísicas de Patanjali. Ele ensinou uma forma de dualismo radical na qual há duas categorias eternas de existência: o "si mesmo transcendente" (purusha), e a base transcendente do mundo (prokriti).

O "si mesmo transcendente", segundo Patanjali, compreende incontáveis "si mesmos", que são espectadores passivos diante do cosmos. A base do mundo, naturalmente, compreendia todas as formas e dimensões manifestas da natureza.

Embora o sistema de Patanjali seja considerado uma das escolas clássicas, o seu dualismo o impediu de ter um significado maior, pois a orientação clássica do Hinduísmo sempre foi não-dualista (advaita).

5 - YOGA PÓS-CLÁSSICO

Essa fase do Yoga compreende os séculos 2 à 19, e inclui diferentes escolas e tradições de iogues que floresceram após os trabalhos de Patanjali, além de ensinamentos anteriores. Esse período é marcado pelo Yoga Upanishads, pelas escrituras do Tantra e pelo Hatha Yoga. Os ensinamentos se baseiam numa espécie de filosofia não-dualista, que caracterizava o Yoga Pré-Clássico.

6 - YOGA MODERNO

A partir de 1900, teve início a fase do Yoga Moderno, marcada por um mestre espiritual, Sri Aurobindo Ghose (1872-1950), que criou o Yoga Integral (Purna Yoga). Diferente das formas tradicionais de Yoga, o Purna Yoga não encoraja o abandono do mundo ou das obrigações mundanas. Ele tem como objetivo realizar a consciência supermental por meio de uma atitude afirmativa.

ELEMENTOS DA YOGA

1 - Iama

Iama (yama) pode significar controle ou disciplina e está relacionada à ética moral qu forma a base da disciplina espiritual. É o primeiro item abordado por patanjali no caminho óctuplo, no Yoga Sutra. Existem cinco iamas. O primeiro é o “não violência” (ahimsa) em pensamentos ações. A “veracidade” (satya) é o segundo, e se relaciona com a verdade interior. O terceiro é “não roubar” (asteya), e, de alguma forma, está ligado à não violência. O quarto iama é “castidade” (brahmacharya), e aborda o recolhimento interior. O último é “ausência” de cobiça” (aparigraha) que desenvolve o desapego dos bens materiais.

2 - Niama

o autocontrole, ou niama (niyama), está relacionado com o controle da energia psicofísica pela prática regular da disciplina moral. Seus elementos falam da vida interior: pureza (shauca), contentamento (samtosha), ascetismo (tapas), estudo (svâdhayâya) e devoção ao Senhor (ishvara pranidhâna).

O niama harmoniza o relacionamento com as outras pessoas, com a vida em geral e com a realidade transcendental.

3 - Ássanas (âsanas)

O significado mais comum de ás sana (ãsana) é "postura", e em sua origem determinava posições estáveis para a meditação prolongada. Os seus exercícios fortalecem o corpo, dando mais agilidade e prevenindo principalmente doenças psicossomáticas. Desenvolve uma musculatura mais flexível, tendões e ossos mais resistentes, o equilíbrio de glândulas internas.

Os exercícios são realizados respeitando o alinhamento das cadeias musculares, dessa forma proporcionando consciência do próprio corpo. O ás sana desbloqueia áreas de tensão que impedem o fluxo da energia vital (prana; prãna). Sempre que o fluxo não é adequado, pode provocar doenças.

A prática regular de posturas gera estabilidade, saúde e leveza corporal.

4 - Pranaiama

O termo pranaiama (prãnãyâma] é composto por prâna (respiração, força vital) e âyâma (extensão), o que sugere o controle da respiração. Os exercícios respiratórios praticados nessa técnica de Yoga reeducam os músculos envolvidos na respiração, ampliando e melhorando a absorção do oxigênio. Eles atuam nas emoções produzindo equilíbrio interior. O pranaiama age diretamente sobre a nossa energia, aumentando-a e melhorando sua distribuição pelo corpo.

A respiração representa a energia vital mais sutil do nosso corpo. Reter o ar é como se tivéssemos a capacidade de segurar o tempo, impedindo sua movimentação. Em muitas modalidades, essa técnica é a mais utilizada, pois ela leva o praticante a ter o controle da respiração: inspiração (púraka), retenção (kumbhaka) e expiração (recaka).

Com a prática do pranaiama nossa respiração cotidiana é ampliada, e os músculos e órgãos envolvidos no processo são reeducados para que o padrão respiratório atingido se mantenha mesmo após a prática dos exercícios. O controle dessa força consegue colocar a mente em movimento ou em pausa. Muitos desses exercícios devem ser praticados com instrutor, pois precisam ser corrigidos.

5 - Pratiaara

O termo pratiaara (pratyâhâra) significa recolhimento e se relaciona com os sentidos. Com as práticas do Yoga há o recolhimento dos sentidos, com o objetivo de se observar apenas as experiências, sem que o ego interfira no julgamento. O "não julgar" é que gera o aprendizado, pois ao recolher os sentidos a percepção do mundo interior é maior.

6 - Daraná

Daraná (dh.ãranã) significa "concentração". É o estado de atenção que integra todo o ser num único ponto e objetivo. Sua prática é importante para o processo de meditação. A concentração do praticante de Yoga é um estado de alta energia e constante estado de alerta, no qual a mente permanece imóvel, em equilíbrio com suas ondas

7 - Meditação

Praticar a meditação é aprender a esvaziar e unificar sistematicamente a consciência. A meditação nos oferece a oportunidade de nos conhecermos melhor, pois estamos sempre preocupados em conhecer o que está à nossa volta, e nos empenhamos pouco em conhecer o que está dentro de nós.

Por meio da meditação, damos atenção a nós mesmos e descobrimos como funcionamos, quais são nossas reações diante do que nos cerca.

O seu objetivo primário é ter consciência e nos familiarizarmos com a nossa vida interior. O final é o de alcançar a fonte da vida e da consciência. A sua prática, embora simples, requer bastante disciplina e regularidade.

8 - Samádi - samãdhi

O termo samádi (samãdhi) significa "êxtase" e é o absoluto estado de identidade com o momento presente, sem ligação com o passado ou futuro. Ele ocorre quando existe concentração suficiente. Há a tomada de consciência e depois a libertação.

Por meio das práticas das diversas fases e tipos de êxtase adquirimos o estado de identidade com o "si mesmo" ou de "ser-consciência".

DICAS PARA PRATICAR A MEDITAÇÃO

Falar em Voga é o mesmo que falar em meditação, pois todas as suas técnicas visam fornecer meios para tornar possível a prática meditativa que, por sua vez, necessita do treino prático da atenção.

1ª - Escolha um lugar tranquilo onde você possa sentar de forma confortável e com a coluna ereta. Pode ser numa cadeira ou no chão, com as pernas cruzadas.

2ª - Use roupas que não apertem nem incomodem.

3ª - Evite meditar quando estiver com sono ou muito cansado. Um bom horário para meditar é pela manhã, quando estamos mais descansados.

4ª -Comece com dez minutos diários. Use um despertador para marcar o tempo.

5ª - Não se mova enquanto estiver meditando, pois o corpo é como um pote e a mente é a água dentro dele.

6ª - A atenção deve estar voltada para o objeto da meditação (a respiração, um símbolo, etc.), sem que isso necessite de grande esforço.

7ª - Caso você disperse sua atenção, reinicie o processo.

8ª - Qualquer coisa que ocorra será benéfico. Provavelmente, muitos pensamentos desfilarão por sua mente, e alguns poderão provocar reações como vontade de rir ou chorar. Mesmo assim, continue sentado e volte sua atenção para o objeto da meditação.



Fonte: Revista TUDO SOBRE YOGA - Mythos Editora


Próximo Artigo: Yoguismo - Parte II - A Essência da Yoga - Meditação



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