sábado, 1 de outubro de 2011

Orientalismo IV - Budismo - conclusão



No Budismo devemos distinguir duas escolas principais:

Hinnaiana (Budismo do Sul) e Mahaiana (Budismo do Norte), fusão do budismo do sul, com influência da religião Bom e do tantrismo hindu.

Hinnahiana (o Pequeno Sendeiro) - Não tem chefe, não adota o tantrismo, não adora os Diana-Budas nem o Buda primordial e tem uma crença limitada em devas e demônios. O único Bodisatva, em seus templos, é o Maitréia. Ensina a yoga, pouco praticada.

Mahaianna (o Grande Sendeiro) - Apresenta hierarquia sacerdotal organizada, sendo o Dalai Lama o chefe temporal e o Tashi- Lama o chefe espiritual. Um ritual bem definido, doutrina extensa das manifestações divinas, crença num Buda Primordial, insistência quanto à yoga, sua filosofia e espiritualidade requintadas aproximam-se da Igreja Católica atual.

Os Grandes Lamas usam em suas jornadas ou quando executam alguma cerimônia fora do templo, a cruz, a mitra, a dalmática e o pluvial; o serviço com coro a duas vozes; a salmódia, os exorcismos; o incensório, suspenso em cinco cadeias; as bênçãos, dadas pelos lamas, estendendo a mão direita sobre a cabeça dos fiéis; o rosário, o celibato eclesiástico, o retiro espiritual, a veneração dos santos, as procissões, as litanias e água benta. Parece o Catolicismo.

Para todos os budistas a pessoa não existe. Na origem se localiza uma potencialidade inconsciente (avidya) e na nebulosidade desta vida indefinida, as tendências à formação, à organização (Samskharas) produzem agregados informes. Desses materiais nascem os organismos dotados de sensibilidade, irritabilidade (vijñana). Estes desenvolvem a consciência individual da unidade daquilo que não é este “Eu” e faz viver o organismo enquanto personalidade (nama-rupa).

Sustenta o budismo que o espírito, enquanto realidade última, não se trata de nenhuma consciência individualizada, mas de todas, em geral evidenciando assim que falar em “imortalidade pessoal” é apenas sustentar diferenciação, neste caso de “personas”, numa escala mais refinada. 

No Bardo-Thödol, faz-se distinção entre “consciência”, que se refere à intelecção pura e supra terrestre e a inteligência que é apenas a intelecção do fenomênico. “Cognoscente” é o agente da consciência.

Buda nunca tentou esclarecer se Deus existe. Já o budismo Mahaianna aceita o Buda Primordial.

Ao desencarnar, os budistas entram na “correnteza da vida”, isto é, no Bardo (estado intermediário), onde permanece apenas o Cognoscente com um corpo muito sutil, o qual, ao fim de algum tempo, após passar inúmeras provas, geralmente após 49 dias, reencarna, de acordo com seu carma, em um desses domínios: inferno, fantasmas famintos, animais, humano, semi-deuses e deuses. Essas são as reencarnações comuns.

O budismo prega que o conceito de um “eu” ou “ego sólido” ou permanente não existe de fato, pelo contrário, é uma ideia que superpomos às nossas experiências que são basicamente descontínuas e transitórias. Por mais que possamos tentar negar a verdade (que não existe o Eu) e por mais que procuremos insistir no que não é verdade (que existe um Eu) jamais vamos conseguir isso.

O corpo do Bardo (astral) é da mesma substância materializada nas sessões espíritas ou de necromancia (corpo astral da Teosofia).

Ao desencarnar, a pessoa pode permanecer com o corpo astral, às vezes por períodos prolongados, habitando o Bardo. Todos os que aí permanecem (espíritos, pretas, demônios, seres humanos defuntos), se habituam e retardam sua evolução normal. Quando um espírito é invocado, como em muitas sessões espíritas, pelo contato com o mundo e a crença tradicional anímica prevalente quanto à vida de além túmulo, o espírito crê possível um progresso no Bardo, e não faz nenhum esforço para sair dele. O espírito assim evocado descreve o Bardo (que é, antes de tudo, um reino de ilusão) no qual se encontra de modo mais ou menos conforme ao que supunha que deveria ser o pós morte, quando tinha um corpo de carne. Assim como muitas vezes em sonhos as experiências da vigília, o habitante do Bardo repete em alucinações cármicas o conteúdo de sua consciência do mundo humano. É muito raro que um espírito invocado tenha alguma filosofia racional para oferecer quanto ao lugar em que se encontra. Acabar-se-á recaindo num gérmen, acabando o carma que o impulsionou ao estado de Bardo.

Em geral o renascimento nos seis domínios ocorre como resultado da força cega do carma e tem como saldo uma compulsão incontrolável de readquirir o território do ego. No entanto, algumas pessoas chegaram a um estado de percepção adiantado utilizando práticas espirituais. A evolução da compaixão conduz naturalmente a uma aspiração de ajudar os seres sencientes, encurralados no ciclo de nascimento e morte. Os seguidores do budismo Mahaianna procedem de acordo com essa aspiração fazendo o voto de bodbisattva, que consiste em continuar renascendo no samsara até todos os seres sencientes atingirem a iluminação. Entre os bodbisattvas mais esclarecidos esse voto leva ao renascimento continuado nos seis domínios até muito tempo depois de cessar a compulsão de renascer. O Buda Sakyamuni, antes da iluminação, estava nesse nível de boodbisattva. Aí se tornou Buda. Segundo a escola Mahaianna existem muitos deles, alguns budistas outros não, renascendo sempre, muitos deles reconhecidos e identificados. Na Índia, por exemplo, os grandes santos tântricos (Siddhas) são reencarnações desse tipo. Na tradição tibetana muitos são os assim renascidos, inclusive o Dalai Lama.

Aplicada aos mestres tibetanos a palavra tulku (ser físico completamente realizado), não precisa ser tomada ao pé-da-letra. Para começar, por mais elevado que seja o esclarecimento dos tulkus, eles são considerados bodbsattvas, ainda estão percorrendo o caminho que leva à iluminação completa e plena dos budas. Além disso, a tradição tibetana reconhece vários níveis de tulkus. Entende-se que só poucos da categoria mais elevada de todas são iluminados, mas mesmo para eles a iluminação cósmica dos budas ainda não está ao alcance.

Bibliografia:

1-Miranda, Caio - A libertação pelo Yoga - Livraria Freitas Bastos S.A. 3º ED. - 1963.
2-Yogue Ramacharaca - A vida depois da morte - Editora Pensamento –1991.
3 – A sabedoria dos Vedas – Chatterji, Jagadish Chandra – Ed. Pensamento - 1973.
4 – O Bagavavad- Gìtã- Como Ele ë- Sua Divina Graça ªC. Bhaktivedanta Swami Prabhupãda- Fundação Bhaktivedanta - 1986
5- Lama Samdup, Kazi Dawa - O livro dos mortos Tibetano (Bardo Thödol) - Hemus- 1983.
6- David- Neel, Alexandra- O Budismo de Buda- Ibrasa- 1977.
7- Bercholz, Samuel, Kohn, Sherab Chödzin – O Pequeno Bbuda- Editora Siciliano- 1993.

Zen Budismo e Iluminação

Autor do texto Alex Alprim – Sexto sentido 8

“Não praticamos para nos tornar Buda, mas porque somos Buda.” Com esse pensamento, o zen budismo tornou-se uma das religiões mais conhecidas da atualidade, estendendo-se à Europa e América, e trazendo para o ocidente uma nova maneira de ver o mundo. Conheça um pouco mais sobre o zen nesta entrevista com a Monja Coen Murayama, presidente do Conselho Superior do Templo Busshinji, em São Paulo.

Uma das mais antigas práticas religiosas do planeta, o budismo, e por extensão o zen budismo, chegou ao Brasil através dos imigrantes japoneses, que começaram a desembarcar no Brasil em 1808, e hoje deve abranger cerca de um por cento da população do país. O zen está dividido em três escolas fundamentais: Soto Shu, Rinzai e Obaku — divisão ocorrida na China e que acabou se estendendo até o Japão. "Nossa tradição zen budista vem do Japão", explica Coen Murayama, que segue a escola Soto Shu, também chamada Soto Zen. "Assim, nossa sede fica no Japão, onde existem dois templos-sede, além de uma central administrativa em Tóquio, um templo em Sojiji, Yokohama, e um templo chamado Eihiji, em Fukuy. Também existe o zen budismo chinês, com sede em Taiwan. No Brasil, no momento, acho que existe o coreano também. Mas não há uma centralização. Por exemplo, a escola Rinzai possui vários mosteiros espalhados, na sua maioria em Kyoto, e cada um é independente. Nossa escola tem uma hierarquia muito forte, bem tradicional e piramidal, mas não existe algo semelhante a um papado, um Vaticano."

No Japão de hoje, mais de noventa por cento da população é budista e uma grande parcela segue a linha zen. O fator que mais favoreceu a disseminação desse ramo budista foi que, em determinada época, virou costume as pessoas solicitarem aos monges a condução do enterro de seus entes queridos. Isso não só ampliava o contato entre a população e os religiosos como também conduzia à prática zen. Hoje em dia, o que tem acontecido é uma expansão muito acentuada do zen budismo no ocidente, especialmente EUA e Europa. "Já se fala de zen norte-americano e europeu", diz Murayama. "São realidades e não algo que foi importado do Japão. Já existe um grupo chamado zen budista norte-americano que está em sua quarta geração. Também a Itália e a Alemanha têm grupos fortes".

Revisão Crítica

Ao contrário do que muitos possam pensar, zen budismo é uma religião, não filosofia. "Algumas pessoas interpretam ou desejam ver apenas o aspecto filosófico, que todas as religiões possuem", diz a monja Murayama, "mas nós temos ritos, crenças e fé. A fé é importante. Algum tempo atrás, o Papa lançou um livro onde falava das várias religiões do mundo, e nós notamos que ele estava muito mal assessorado, porque disse que o budismo não requeria fé. Isso, na Ásia, é uma ofensa muito grande, pois existem inúmeros grupos religiosos baseados apenas na fé. Vários deles acreditam que, só de pronunciar o nome de Buda, a pessoa já entra na Terra Pura".

Os textos sagrados dessa religião são o vinaya, que seriam códigos monásticos; os sutras, que são os ensinamentos de Buda, o que ele teria dito; e a Abhidharma, os comentários dos sutras. Todos esses textos estão passando por um processo de revisão para evitar certos erros históricos. Como ocorreu com os evangelhos da Bíblia cristã, eles foram escritos após a morte do Buda por pessoas que poderiam ter interesses diferentes e ligadas a diversos grupos culturais.

"Hoje em dia existe o que chamamos de budismo crítico", diz Coen Murayama. "Buda usava um dialeto e uma linguagem muito simples para que todos pudessem entendê-lo. Mas, quem escreveu os textos após sua morte? Como e por que fez isso? Nós sabemos que essas pessoas podem ter alterado um pouco o que o Iluminado falou. Por essa razão, embora tenhamos grande respeito pelos sutras, hoje percebemos por que foram escritos daquela forma, quem escreveu, com que intuito e a qual grupo pertencia. Existem muitas discriminações nos textos clássicos, e essa foi uma das razões para se ter iniciado esse processo de estudar novamente, reler e descobrir de onde vem a discriminação".

O processo crítico deve ter se iniciado há cerca de 20 anos, quando um monge japonês foi à Universidade de Princeton, EUA, para uma palestra. Lá, perguntaram-lhe se havia discriminação no Japão e ele respondeu com uma negativa. Alguém na assembléia disse que não era verdade, o que deu início a um incidente internacional, quando a notícia chegou ao Japão e os grupos discriminados se sentiram ofendidos.

Vários estudos foram iniciados para se tentar descobrir como o budismo estaria envolvido nas discriminações, e a investigação acabou chegando às origens do sistema de castas na Índia. Apesar de Buda sempre ter dito que todos são iguais, irmãos, nos escritos de membros das classes mais elevadas existem referências a humanos e não-humanos, que eram justamente os desprovidos de casta. "Não é o caso de se jogar os textos fora", diz Murayama, "mas de estudá-los, levando em conta o momento histórico em que surgiram. A partir disso, é ver como eles se aplicam na realidade atual para criar um mundo sem discriminação e violência dentro da essência budista".

Encontrar a Resposta

Assim como ocorre em outras religiões, também faz parte da vida monástica zen dar aconselhamento espiritual aos que procuram os templos e monges. "Às vezes, a própria pessoa que busca auxílio não sabe explicar muito bem qual é o problema ou qual é sua dúvida", explica a religiosa. "A idéia do zen não é responder questões, mas fazer com que a pessoa perceba qual é seu questionamento e consiga, ela mesma, encontrar a resposta".

Esse aconselhamento não se restringe aos budistas, mas é aberto a pessoas de qualquer religião que procure os templos. Coen afirma que o zen budismo vem tendo muitos encontros inter-religiosos, nos quais pessoas de diversas crenças chegam para conhecer o santuário e acabam se aconselhando. "Em Nova York", ela conta, "existe um padre católico que se tornou professor zen e usa as técnicas de budistas em sua prática cristã. Ele diz que o zen enriqueceu muitíssimo sua percepção. Portanto, o zen é uma disciplina que pode ser utilizada por outras religiões".

O sustento financeiro dos templos zen no Japão também tem origem histórica. Na época em que expulsaram o cristianismo do país de forma um tanto violenta, foi realizada uma espécie de inspeção em todas as casas para constatar que nenhum cristão havia permanecido. As pessoas foram obrigadas a se registrar como budistas em algum templo. Na época, ser cristão significava pertencer a um grupo politicamente contrário ao poder absolutista que dominava e que não desejava qualquer tipo de oposição.

"Hoje, ocorre com frequência de uma pessoa dizer que é soto zen simplesmente porque seu pai, avô e bisavô também eram. Tornou-se uma coisa de família, de tradição, mas, muitas vezes, a pessoa, o indivíduo nem sabe o que é isso, do que se trata. Os templos são mantidos por essas famílias, com doações anuais, e também com serviços prestados à comunidade. No Brasil, é mantido pela comunidade japonesa. O espaço que temos aqui em São Paulo foi comprado e doado pelos primeiros imigrantes".

História

Há 2600 anos, quando Shakyamuni Buda fundou o budismo, ele já praticava zen — uma palavra indiana que significa estado de meditação profunda. Foi a meditação profunda que tornou o jovem chamado Sidharta Gautama no mais conhecido dos Budas — ou seja, um ser desperto, iluminado. Ele praticou zen durante uma semana, o que se chama de rohatsu seshin e, na manhã do último dia, quando olhou a estrela da manhã, percebeu que tudo na criação está interconectado.

"Por isso, quando Sidharta diz, 'Eu e todos os seres, simultaneamente, percebemos que somos o caminho', ele não estava dizendo que era o caminho", explica Coen Murayama. "Nenhum ser sozinho é o caminho. Isso é o que chamamos de iluminação, quando a pessoa sai de seu ego, de seu 'eu'. A partir de então, Gautama começou a pregar".

Bodhidharma é considerado o fundador do zen, o patriarca, que surgiu na 28ª geração após Sidharta e dirigiu-se à China para levar seus conhecimentos, apesar do país já ser budista na época. Lá, ele teve problemas com o imperador, que não entendeu sua mensagem, e resolveu retirar-se para o Monte Shaolin, dando início a uma tradição relativa ao local. Diz-se, inclusive, que Bodhidharma é o fundador das artes marciais. "Historicamente", explica a monja, "a existência desse personagem não é comprovada, mas independente disso, representa um movimento que existiu. Enquanto os outros monges estavam traduzindo sutras, ele dizia, ‘Prática. Não adianta ficar falando e repetindo as palavras de Buda se não praticarmos o que ele ensinou".

Também muito importante para o zen é Daikan Enô, um lenhador analfabeto, com uma imensa percepção do budismo e do zen, considerado o sexto patriarca, o sexto ancestral. Ele deu início a uma linha de ensinamentos que, mais tarde, foi chamada por alguns de transmissão direta e instantânea.

O fundador do zen no Japão foi Dogen (1200-1253), monge filho de nobres, que passou cinco anos no mosteiro do Monte Riei, em Kyoto. Dogen pretendia escrever cem capítulos explicando sua maneira de ver o zen budismo, só que morreu antes. Ele estava revisando 12 capítulos do volume a que chamou de Sho Bo Guen Zo. Sho quer dizer correto; Bo, lei; Guen é o olho; e Zo é uma espécie de lugar onde se armazena as coisas.

Três gerações mais tarde apareceu outro monge chamado Keisan Jonkin, considerado o segundo fundador. Em um momento histórico diferente, ele não era tão purista quanto Dogen e começou a fazer uma abertura maior. Como tinha grande capacidade de comunicação, com ele a disciplina zen se espalhou por todo o Japão. Como a maioria dos templos criados depois de Keisan tem ligação com esse professor, os zen budistas também o consideram fundador. Além de propagar a religião, ele possibilitou que outras tradições japonesas fossem incorporadas ao zen, que deixou de ser chinês ou indiano para se tornar japonês.

Zen Budismo e Polêmicas

Muitos têm a ideia de que monges budistas são tradicionalistas e compartilham as mesmas opiniões do catolicismo em vários temas. Mas isso está um pouco longe da verdade. A seguir estão alguns preceitos do zen budismo sobre temas controversos deste final de século, transmitidos pela monja Coen: 

Castidade - Os monges no Japão se casam há pelo menos 200 anos. Em virtude das guerras, muitos templos eram parcialmente destruídos e acabavam revelando a existência de mulheres e crianças em seu interior — esposas e filhos dos monges. Irritado com isso, o imperador japonês mandou chamar os religiosos e pediu que eles decidissem entre a castidade ou o casamento. A partir de então, é permitido aos monges se casar, ficando a critério de cada um a decisão.

Homossexualismo - A opção sexual de cada ser humano é individual e pessoal. O zen budismo não se manifesta a respeito dessas opções, deixando bem claro que não se deve ter preconceito de qualquer espécie.

Aborto - A análise deve ser feita caso a caso. O budismo é a favor da vida, contudo, também deve ser analisado o carma, o processo de ação e reação.

Casamento: No budismo, quem escreve os votos de casamento são os próprios noivos, não cabendo ao sacerdote perguntar se eles querem ou não consumar a união. Os noivos afirmam perante Buda seu desejo de casar, estabelecendo assim a união. Isso não impede o divórcio, muito embora seja raro acontecer. Para o budismo, o casamento não é uma instituição indissolúvel.

AIDS: Sem dúvida alguma a cura virá. O que devemos evitar é o preconceito para com os portadores do vírus.

Fonte: Sexto Sentido nº 8






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