quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Lendas Celtas Irlandesas II




Dagda e Cridenbel





Ora, o Dagda estava triste no trabalho, e na casa que ele usava pra comer havia um preguiçoso homem cego chamado Cridenbel, cuja boca originava-se no peito. Cridenbel considerava sua refeição pequena e a de Dagda grande, então ele disse, "Dagda, por sua honra dê-me os três melhores pedaços de sua porção!", e o Dagda acostumou-se a dá-los a ele toda noite. Mas os pedaços do satírico eram grandes: cada pedaço tinha o tamanho de um avantajado porco. Além disso, aqueles três pedaços eram um terço da porção de Dagda. A aparência de Dagda estava muito ruim por isso.


Então, um dia, o Dagda estava numa vala e ele viu o Mac Oc indo em sua direção.

"Saudações a ti, Dagda!", disse o Mac Oc.

"E a ti", disse o Dagda.

"O que faz você parecer tão mal?", ele perguntou.

"Eu tenho uma boa causa", disse ele. "Toda noite Cridenbel, o satírico, exige de mim os três melhores pedaços de minha porção."

"Eu tenho um conselho para você", disse o Mac Oc. Ele colocou as mãos nos bolso e pegou três moedas de ouro, e as ofereceu para ele.

"Coloque", continuou ele, "essas três moedas de ouro nos três pedaços de Cridenbel ao anoitecer. Então esses serão os melhores de teu prato, então o ouro se encravará em seu ventre e por isso ele morrerá; e mais tarde o julgamento de Bres não será justo. Os homens dirão ao rei, 'O Dagda matou Cridenbel com uma erva mortal que deu a ele.' Então o rei ordenará que você seja morto, e tu dirás a ele, 'O que você diz, rei dos guerreiros de Feni, não condiz com a honestidade de um governante. Porque ele vinha me importunando desde que comecei meu trabalho, dizendo a mim: "dê-me os três melhores pedaços de sua porção, DagdaEstou fraco hoje", realmente, eu o mataria por isso, se as três moedas de ouro que encontrei aquele dia não me tivessem ajudado. Eu as coloquei em minha porção, então dei-a a ele, porque o ouro era a melhor coisa que havia diante de mim. Então o ouro está agora em Cridenbel, e ele o matou.'

Assim foi feito, e disse o rei, pronunciando seu julgamento: "Está certo, tirem fora o estômago do satírico para ver se o ouro é encontrado nele. Se não for encontrado, você morrerá, entretanto, se for encontrado, você viverá”.

Então eles cortaram fora o estômago do satírico e encontraram as três moedas de ouro em suas entranhas, e Dagda foi salvo.

Então o Dagda voltou para o seu trabalho na manhã seguinte, e o Mac Oc foi a ele e disse: "Em breve você finalizará seu trabalho, mas não pedirá pagamento até que o gado da Irlanda seja trazido a você. Escolha dentre eles uma escura, de crina negra, treinada e impetuosa novilha”.

Então o Dagda concluiu seu trabalho, e Bres perguntou-lhe o que ele queria como recompensa pelo seu labor. O Dagda replicou: "Eu exijo que você reúna o gado da Irlanda em um único lugar." O rei fez o que ele pediu, e ele escolheu a novilha sobre a qual o Mac Oc lhe disse. Isso pareceu tolo a Bres. Ele pensou que ele escolheria algo mais.

Ora, Nuadu havia sido tratado, e Dian Cecht havia lhe dado uma mão de prata que se movia como qualquer outra mão. Mas seu filho Miach não gostou disso. Ele foi até a mão que havia sido substituída e disse "junta ligue-se com junta, e tendão com tendão"; e ele curou-a em nove dias e nove noites. Nos primeiros três dias ele carregou-a ao seu lado, e ela ficou coberta com pele. Nos segundos três dias ele carregou-a junto ao peito. Nos últimos três dias ele lançou brancos feixes de junco negro após terem sido escurecidos com fogo. Dian Cecht não gostou dessa cura. Ele atirou uma espada na cabeça de seu filho e cortou sua pele deixando-o em carne viva. O jovem se curou através de suas habilidades. Ele golpeou-o de novo e cortou sua carne até alcançar o osso. O jovem se curou pelos mesmos meios. Ele lhe infligiu um terceiro golpe e atingiu a membrana de seu cérebro. O jovem se curou pelos mesmos meios. Então ele o golpeou uma quarta vez e tirou fora seu cérebro, de forma que Miach morreu; e Dian Cecht disse que nenhum médico poderia curá-lo dessa ferida.

Depois disso, Miach foi enterrado por Dian Cecht, e trezentas e sessenta e cinco ervas cresceram através da sepultura, correspondendo ao número de suas juntas e tendões. Então Airmed estendeu seu manto e arrancou essas ervas de acordo com suas propriedades. Dian Cecht foi a ela e misturou as ervas, de forma que ninguém soubesse suas propriedades medicinais, além do Espírito Sagrado que lhes ensinaria mais tarde. E Dian Cecht disse: "Apesar de Miach não ter vivido muito, Airmed ficará”.

Enquanto isso, Bres mantinha o reinado a ele concedido. Existia um grande murmurinho contra ele entre seus parentes dos Tuatha De Danann, porque suas facas não eram engorduradas por ele. Todavia frequentemente eles viessem, seu hálito não cheirava a cerveja; e eles não viam seus poetas, nem seus bardos, nem seus satíricos, nem seus harpistas, nem seus flautistas, nem seus tocadores de chifres, nem seus malabaristas, nem seus palhaços em reuniões familiares. Eles não iam para competições de famosos artistas, nem viam seus guerreiros provando suas habilidades perante o rei, exceto por um homem, Ogma, o filho de Lain.

Essa era a responsabilidade que ele tinha: levar lenha para a fortaleza. Ele trazia uma pilha todo dia das ilhas de Clew Bay. O mar levava dois terços de sua carga porque ele ficava fraco pela falta de comida. Ele trazia apenas um terço que fornecia para o anfitrião todo dia.

Mas nenhum serviço nem pagamento para as tribos perseverou; e os tesouros da tribo não foram doados, devido ao comportamento de toda tribo.











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