domingo, 4 de setembro de 2011

Xamanismo


O xamanismo é uma filosofia de vida muito antiga que visa o reencontro do homem com os ensinamentos e fluxo da natureza, e com seu próprio mundo interior.

Sua origem não tem raízes históricas ou geográficas; na realidade, é um conjunto de ensinamentos milenares que, através da tradição de tribos indígenas do mundo todo, foram sendo passadas até os dias de hoje.

Esses ensinamentos são baseados na observação da natureza e seus sinais: sol, lua, Terra, Água, Fogo, Ar, Animais, Plantas, Vento, Ciclos, etc...

Pode–se considerar o xamanismo como a verdadeira arte de viver.

Ao observarem o ciclo da natureza e suas manifestações, os antigos xamãs puderam perceber sua conexão com o todo e, desta forma, se abriram para o aprendizado daquilo que realmente somos e tornaram-se capazes de elevar a consciência e se relacionar com outras realidades e dimensões, assim como manter plena e perfeita harmonia com a natureza, possibilitando a total integração de seus corpos físico, mental, emocional e espiritual.

A prática do xamanismo utiliza-se do trabalho com: ervas, direções sagradas, rituais, jornadas xamânicas, contato com natureza e seres espirituais, ritmos, danças e movimentos corporais, elementos básicos da natureza (água, terra, ar, fogo, cristais, pedras, argila, etc...), cirurgias espirituais e técnicas de cura e purificação dos corpos físico, emocional, mental e espiritual, entre outras coisas.

Atualmente, está havendo um resgate dos conhecimentos do xamanismo a fim de aplicá-los no dia a dia, buscando elevar a consciência e alcançar novamente o equilíbrio.

O xamanismo tem como objetivos básicos: reconectar o ser com sua sabedoria interior, conexão com a multidimensionalidade do ser humano, ancoragem do poder pessoal, conexão com seres espirituais, limpeza dos corpos físico e sutis, limpeza e harmonização de ambientes, harmonização plena do ser, conscientização do aspecto espiritual de cada um e de sua inter-relação com a natureza e com o planeta a que pertence, ativação das habilidades de coragem, força e sabedoria para lidar com questões generalizadas, curas e prevenção de distúrbios e doenças.

O conceito básico da cura xamânica é que "Ninguém cura o outro. A cura está dentro de cada um".

Xamanismo Norte Americano, realizado diretamente com índios Cherokees, Lakotas, Apaches, Navajos

Percebendo que os corpos visíveis são somente símbolos de forças invisíveis, os anciãos trabalham o poder divino através da manifestação dos reinos da natureza... A era de ouro reconhece as coisas vivas de um ponto de vista que Deus pode ser perfeitamente compreendido através da suprema manifestação de sua força de trabalho: a Natureza. Cada criatura existente manifesta um aspecto da inteligência e poder do Grande e Eterno criador...

Os ensinamentos secretos de todas as Eras.

O Xamanismo centra-se nos ritmos cíclicos da natureza: nascimento, morte e renascimento, a complementaridade masculino e feminino, o contato pessoal individual com ambiente imediato da terra, com as forças da terra, do sol, da lua e de toda natureza.

O xamã pode ser homem ou mulher. É o mago, o curandeiro, o bruxo, o médico, o terapeuta, o conselheiro, o contador de estórias, o líder espiritual, etc.

Ele é o explorador da consciência humana. O praticante é levado a sair do torpor convencional, reconhecendo os seus limites, a sua limitada visão pessoal do mundo, buscando um plano mais universal.

Através de um chamado interior, ele vive um confronto existencial.

PLANTAS DE PODER:

O uso de plantas sagradas vem fazendo parte da experiência humana há milênios. Não podem nunca serem confundidas com drogas que causam a dependência e colocam em risco a saúde de quem as usa. A planta é criação de Deus, a droga é uma criação humana.

As Plantas de Poder são ingeridas em rituais. Obedecem a preceitos mágico-religiosos e proporcionam cura, autoconhecimento, expansão da consciência.

Conhecidas atualmente como plantas enteógenas (entheos = Deus dentro) são também reconhecidas como Plantas Mestres, Plantas Professoras, Plantas de Conhecimento, Plantas de Poder, Plantas Sagradas.

As plantas de Poder, em suas diferentes espécies, participaram e participam de cerimônias rituais em todos os continentes. Com o advento das obras de Castañeda, abriu-se uma porta para a observação do uso de plantas para expansão da consciência, porém, há sinais de sua utilização em muitas escrituras sagradas.

Atualmente, existem comunidades religiosas que se utilizam de Plantas de Poder como sacramento de seus rituais, tais como a Igreja Nativa Americana, que se utiliza do Peiote (Don Juan); o Catimbó, da Jurema; O Santo Daime, a União Vegetal, e a Barquinha, da bebida Sacramental conhecida no Peru como Ayauasca, e nas matas brasileiras com os nomes iagé, nixi honi xuma, caapi.

As Plantas de Poder aumentam a percepção, a acuidade visual e auditiva, e transportam o praticante para outras camadas vibracionais ou dimensões. A experiência é individual, algumas pessoas tem visões, outras canalizam mensagens, fazem regressões, recebem insights, recebem soluções para seus problemas com maior claridade, percebem as causas de suas doenças, recebem cura, se conectam a arquétipos, aos mitos, aos medos, traumas, símbolos que estão no inconsciente coletivo, visualizam entidades, viajam astralmente, etc...

O uso ritualístico de Plantas de Poder proporciona, sem dúvida, uma experiência místico-religiosa de beleza incomparável, proporcionando o samadhi, o êxtase, o nirvana, o encontro com o Eu Superior, o transe.

Alerta: A busca pelas Plantas de Poder pode ser perigosa. Não são todos os que dizem conhecê-las que as conhecem realmente. As Plantas de Poder só trazem resultados benéficos se utilizadas dentro de um fundamento espiritual, consagradas em rituais e preparadas de forma correta.


ANIMAIS DE PODER:

A simbologia animal está profundamente gravada no inconsciente coletivo da humanidade.

Herdamos sentimentos e recordações inconscientes que condicionam nosso comportamento consciente.

Nas religiões antigas existem registros de rituais do homem e do animal em todos os hemisférios. Exemplos como Ganesha, a divindade hindu, forma humana com cabeça de elefante; no Egito, Thot, forma humana com cabeça de falcão; o peixe e a ovelha no cristianismo.

Na mitologia grega, entre os fenícios, maias, aztecas, indios norte-americanos, na Siberia, nos cultos africanos, no Perú, entre os aborígenes australianos, entre os esquimós, índios brasileiros, no taoísmo e etc.

Nos contos Jakata conta-se que Buda, em seu “Grande Despertar“, lembrou-se de encarnações animais.

Jesus, um dia, disse aos seus discípulos : “Eis que vos envio como ovelhas no meio de lobos; portanto, sede espertos como as serpentes e simples como as pombas“. (Mateus, 10:16)

A história também faz registros do Sermão aos Peixes, de Santo Antonio, e São Francisco pregando a palavra de Deus aos pássaros.

Também o símbolo dos Quatro Evangelistas: Mateus, o Anjo ou o Homem, marcando o nascimento de Cristo; Marcos, o Leão, seu Evangelho começa no deserto; Lucas, o touro, iniciando com Zacarias, que sacrificou o Gado; João, a Águia, porque através dela o Espírito de Deus se manifesta.

Na astrologia os símbolos astrológicos são animais. Na astrologia chinesa idem. Nos chacras, há, para cada vórtice, um animal que carrega o bija (semente). A Kundalini é representada por uma serpente.

A simbologia animal também está presente em todas as linhas de ocultismo, na alquimia, nas cartas de tarô, nas runas, no I Ching, etc.


OS ANIMAIS NO XAMANISMO:

No xamanismo, passamos pela descoberta do animal guardião que está presente em cada um de nós. Seja chamado de animal de poder, espírito protetor, nagual, aliado totem, animal guardião.

É o nosso alter ego, nosso duplo. Os animais estão mais próximos do que nós da Fonte Divina. O animal é mítico, onírico. Quando compartilhamos de sua consciência animal, podemos transcender o tempo e o espaço e as leis de causa e efeito. A natureza da relação entre o homem e o animal é de origem espiritual. É o nosso instinto animal, nosso lado mais forte e menos racional.

Os animais de poder são manifestações dos poderes arquetípicos ocultos que estão por trás das transformações humanas. Torna as pessoas com um corpo vigoroso, aumenta a resistência à doenças, a acuidade mental, e a auto-confiança.

Eles auxiliam no diagnóstico de doenças, na realização de objetivos desafiadores, para aumentar a disposição, auxiliam no auto-conhecimento. Enfim, um aliado.

O antropólogo Michael Harner, em seu livro “The Way of The Shaman“, descreve que quando uma pessoa está doente, ela está desanimada, ou seja, ela perdeu sua força animal, está deprimida, fraca e predisposta a adoecer.

No xamanismo, realizamos um ritual com tambor para que os praticantes se conectem com seu animal, e também deixamos nosso animal aflorar através da “Dança do Animal“, uma outra forma de evocação.

No xamanismo, os praticantes costumam, também, ter as sua canções para evocar o poder dos animais. Através de uma maior compreensão da energia animal e da prática de rituais e meditações expande-se o seu poder pessoal.

Esse relacionamento poderá lhe trazer um vigor extra, ajudará a ter idéias mais criativas, a melhorar seu relacionamento com as pessoas e com o Universo, aumenta sua intuição, melhora seu poder de tomar decisões, maior disposição para enfrentar os desafios da vida, proteção contra perigos.


Minha Guardiã


Águia, prá onde voas
Águia, prá onde vais.
A voar, a voar, a voar, a voar
A voar a voar sem parar
Águia, o que tu buscas.
Águia, o que tu procuras.
A voar, a voar, a voar, a voar.
A voar, a voar, lá no Céu.
Águia, não me abandone.
Guia meu caminhar
A voar, a voar, a voar, a voar.
A voar, a voar, para mim.
És minha Guardiã
Contigo, não vou recuar.
Vou voar, vou voar, vou voar, vou voar.
Vou voar, vou voar, com você.

Extraído do livro: O Espírito Animal – Ed. Roca


Próximo artigo: Lendas Xamânicas - O Despertar do Jaguar Solar







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