sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Orientalismo II - Confucionismo


O confucionismo é um sistema filosófico chinês criado por Kung-Fu-Tzu (Confúcio). Entre as preocupações do confucionismo estão a moral, a política, a pedagogia e a religião. Fundamentada nos ensinamentos de seu mestre, o confucionismo encontrou uma continuidade histórica única.

Filosofia, ideologia política, social e religiosa do pensador chinês Confúcio (551-479 a.C.), grafia latina do nome Koung Fou Tseu (ou mestre Kung). 

O princípio básico do confucionismo é conhecido pelos chineses como junchaio (ensinamentos dos sábios) e define a busca de um caminho superior (tao) como forma de viver bem e em equilíbrio entre as vontades da terra e as do céu. 

Confúcio é mais um filósofo do que um pregador religioso. Suas idéias sobre como as pessoas devem comportar-se e conduzir sua espiritualidade se fundem aos cultos religiosos mais antigos da China, que incluem centenas de imortais, considerados deuses, criando um sincretismo religioso. O Confucionismo foi a doutrina oficial na China durante quase 2 mil anos, do século II até o início do século XX. Fora da China, a maioria dos confucionistas está na Ásia, principalmente no Japão, na Coréia do Sul e em Cingapura.

Doutrina:

- No Confucionismo não existe um deus criador do mundo, nem uma igreja organizada ou sacerdotes. O alicerce místico de sua doutrina é a busca do Tao, conceito herdado de pensadores religiosos anteriores a Confúcio. O tao é a fonte de toda a vida, a harmonia do mundo. No confucionismo, a base da felicidade dos seres humanos é a família e uma sociedade harmônica. A família e a sociedade devem ser regidas pelos mesmos princípios: os governantes precisam ter amor e autoridade como os pais; os súditos devem cultivar a reverência, a humildade e a obediência de filhos.


Os cinco livros:

- Os ensinamentos do confucionismo estão reunidos em cinco livros, chamados Wu Ching ou Os Cinco Clássicos, que incluem textos atribuídos a Confúcio e a outros autores de períodos anteriores. 

As obras são:

Shu Ching (Clássico de Política); 
Shih Ching (Clássico de Poesia); 
Li Ching (Livro dos Ritos, visão social); 
Chun-Chiu (Anais das Primaveras e Outonos, visão histórica) e o 
I Ching (Livro das Mutações, que aborda os aspectos metafísicos da vida). 

Dos Cinco Clássicos, o I Ching é o mais conhecido no Ocidente. Ele afirma que o universo é regido por duas forças ou qualidades, complementares e opostas, o yin (feminino) e o yang (masculino), que provocam constante mudança. O homem nobre deve saber equilibrá-las, e, para isso, o livro traz um oráculo baseado em 64 hexagramas (conjunto de seis linhas que podem ser contínuas ou interrompidas), cada uma com um texto decifrativo. Na forma de consulta mais habitual, três moedas são jogadas seis vezes seguidas e as combinações de cara e coroa indicam o hexagrama.

O confucionismo inclui ainda outras obras importantes, entre os quais o livro de pensamentos diversos Lun Yu, conhecido no Ocidente como Analectos.



Analectos de Confúcio:

Os Analectos (em chinês: 論語 ou 论语; pinyin: Lún Yǔ), de Confúcio, também conhecidos como Diálogos de Confúcio, constituem o livro doutrinal mais importante do confucionismo e é constituído por uma seleção de textos atribuídos a este pensador chinês e aos seus discípulos.

Ao longo do tempo, a obra foi tão lida na China quanto a Bíblia no Ocidente, sendo considerado o único registro confiável dos ensinamentos de Confúcio.

Confúcio viveu na China entre 551 e 479 a.C. e exerceu e ainda exerce profunda influência na cultura chinesa, e em especial no que diz respeito à educação e à moral, tendo como centro o homem. Como muitos outros grandes homens do passado, nada escreveu, e os Analectos são uma coletânea de aforismos feita por seus discípulos e difícil de interpretar, tanto pela linguagem chinesa pictórica como por simbólica, que, com certeza, ao longo de sucessivas traduções teve alguns significados alterados.

FONTES:

A menção mais antiga sobre Os Analectos é feita no Fang chi, um capítulo do Li chi, o que mostra que a obra deve ter existido antes da dinastia Han. Sobre informações a respeito da obra, a fonte mais antiga é o Han shu (História da dinastia Han), concluída por volta do final do século I, onde é feito um breve relato sobre a compilação e a transmissão da obra. Ali são referidas três versões de Os Analectos:

Lu lun em 20 p'ien (livros);

Ch'i lun, em 22 livros (os dois extras são "Wen wang" e "Chih tao")

Ku lun, em 21 livros (versão com dois livros de mesmo nome, "Tzu-chang"; essa versão teria sido descoberta nas paredes da casa de Confúcio, em escrita antiga).

Lu Te-ming (556-627 d.C.) dá mais detalhes, afirmando que o Ch'i lun não continha apenas dois livros extras, mas que os capítulos e versos eram muito mais numerosos que o Lu lun, demonstrando que as variantes existentes àquela época era considerável. Esse mesmo autor afirma que Huan T'an (24 a.C.-56 d.C.) cita que no Ku lun a ordem dos capítulos era diferente, havendo mais de quatrocentas variantes. Enquanto ainda existiam algumas variantes dessas três versões, foram registradas por intelectuais, mas o significado de muitas passagens dificilmente são esclarecidos.


COMPOSIÇÃO:

Os Analectos são compostos por 20 (a 22) livros, aparentemente sem conexão sequencial, nos quais são abordadas as virtudes, ensinamentos morais, qualificações como a “benevolência”, que ele considerava a qualidade mais importante que um homem pode ter. Um ponto central dos ensinamentos de Confúcio é que ser moral não tem nada a ver com interesses próprios; a moralidade é algo a ser perseguida por ela mesma e este parecer ser a mensagem fundamental de Confúcio. Além da benevolência, outras virtudes são sabedoria ou inteligência (chih) e a coragem (yung). A coragem, para ser uma virtude, precisa estar a serviço da moralidade. A reverência (ching) não é estabelecida em função do medo, mas oriunda da consciência da responsabilidade em promover o bem-estar do povo. Como político, Confúcio adotava um certo paternalismo. As qualidades morais só se completariam mediante o exemplo e a participação no Governo, cuja proposta básica é o bem-estar do povo (min).

Fonte: Wikipédia


Rituais e tradições:

- Os confucionistas prestam culto a seus antepassados pela veneração e oferendas, que podem ser feitas em altares domésticos ou nos templos. Os rituais mais importantes são os da vida familiar, com destaque para o casamento, por criar uma nova família, e para os funerais. Um dos aspectos do confucionismo que tem conseguido adeptos no Ocidente é o Feng Shui, conjunto de definições sobre como construir e ocupar casas ou edifícios, da escolha do terreno à disposição dos cômodos, suas funções e objetos, de forma a garantir que a energia vital da terra, chamada Chi, possa fluir e garantir saúde, harmonia, paz, prosperidade e felicidade a seus ocupantes.

Confúcio ensina que o ser humano deve cultuar seus antepassados mortos, de forma a perpetuar o mesmo respeito e amor que tem por seus pais vivos. De acordo com a doutrina, o ser humano é composto de quatro dimensões: o eu, a comunidade, a natureza e o céu - fonte da auto-realização definitiva. As cinco virtudes essenciais do ser humano são amar o próximo, ser justo, comportar-se adequadamente, conscientizar-se da vontade do céu, cultivar a sabedoria e a sinceridade desinteressadas. Somente aquele que respeita o próximo é capaz de desempenhar seus deveres sociais. O único sacrilégio é desobedecer à regra da piedade.


Bibliografia:

HUAI, Chin Nan. TAO Transformação da Mente e do Corpo. São Paulo: Pensamento, 1993; il.
JUNG, G.G.; WILHELM. O Segredo da Flor de Ouro - Tradução de Dora Ferreira da Silva e Maria Luíza Appy. 7ª ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1992.
MACIOCIA, Giovanni. A Prática da Medicina Chinesa Tratamento de Doenças com Acupuntura e Ervas Chinesas. São Paulo: Editora Roca, 1996; il.
ROHDEN, Huberto. Lao-Tse Tao Te King. 3ª ed. São Paulo: Alvorada.
SHAKER, Artur. Buddhismo e Christanismo – Esteios e Caminhos. Rio de janeiro: Vozes, 1997.






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