quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Lendas Greco-Romanas - Hércules



Hércules (ou Héracles), o maior de todos os heróis gregos, era filho de Zeus e Alcmena. Alcmena era a virtuosa esposa de Anfitrião e, para seduzi-la, Zeus assumiu a forma de Anfitrião enquanto este estava ausente de casa. Quando seu marido retornou e descobriu o que tinha acontecido, ficou tão irado que construiu uma grande pira, e teria queimado Alcmena viva se Zeus não tivesse mandado nuvens para apagar o fogo, forçando, assim, Anfitrião a aceitar a situação. Nascido, o jovem Hércules rapidamente revelou seu potencial heroico. Enquanto ainda no berço, ele estrangulou duas serpentes que a ciumenta Hera, esposa de Zeus, tinha mandado para atacá-lo e ao seu meio-irmão Íflico; enquanto ainda um menino, ele matou um leão selvagem no Monte Citéron. Na vida adulta, as aventuras de Hércules foram maiores e mais espetaculares do que as de qualquer outro herói. Por toda a antiguidade ele foi muito popular, o assunto de numerosas estórias e incontáveis obras de arte. Apesar das mais coerentes fontes literárias sobre suas façanhas datarem apenas do século III a.C., citações espalhadas por vários locais e a evidência de fontes artísticas deixam muito claro o fato que a maioria, se não todas, de suas aventuras era bem conhecida em tempos mais antigos.

Hércules (Romano)


Hércules (em latim: Hercules) era o nome em latim dado pelos antigos romanos ao herói da mitologia grega Héracles, filho de Zeus e da mortal Alcmena. As antigas fontes romanas indicam que o herói grego "importado" veio substituir um antigo pastor mitológico chamado pelos povos da Itália de Recaranus ou Garanus, e que era famoso por sua força. 

Enquanto o mito de Hércules incorporou muito da iconografia e da própria mitologia do personagem grego, ele também tinha um número de características e lendas que eram marcadamente romanas. (Imagem ao lado, do confronto Hércules com o Centauro Nesso)


Etimologia

O nome latino Hércules não veio diretamente do grego Herakles, mas antes é uma modificação do nome etrusco Hercle, derivado por sua vez do grego via síncope. Um juramento invocando Hércules (Hercle! ou Mehercle!) era uma interjeição comum no latim clássico.

Personagem

Nas obras de arte romanas e na arte renascentistas e pós-renascentistas que adatou a iconografia romana, Hércules pode ser identificado por seus atributos, como a pele de leão e a clava: nos mosaicos, era mostrado com a pele bronzeada, quase negra, um aspecto considerado viril. Apesar de ser um campeão e um grande guerreiro, Hércules também se utilizava de trapaças e de truques sujos a seu favor. No entanto, tornou-se renomado por ter "deixado o mundo seguro para a humanidade" ao destruir diversos monstros perigosos. Seu auto-sacrifício lhe obteve a ascensão aos reinos do Monte Olimpo, onde recebeu as boas-vindas dos deuses.

Mitos de Hércules



                       Afrescos de Hércules no collegium de Herculano.

Os romanos adotaram as histórias gregas sobre Héracles essencialmente inalteradas, acrescentando detalhes anedóticos próprios, alguns dos quais ligavam Hércules à geografia do Mediterrâneo Ocidental.

Na mitologia romana Aca Larência foi a amante de Hércules. Casada com Tarúcio, um rico mercador, e, quando este morreu, deu toda a fortuna que o marido lhe deixara para a caridade. Noutra versão do mito, era esposa de Fáustulo.

Na Eneida, Virgílio narra um mito sobre Hércules derrotando o monstruoso Caco, que vivia numa caverna sob o Palatino (uma das sete colinas de Roma).

Venceu o Gigante Anteu, que tinha a sua força ligado a terra (sua mãe), quando Hércules suspendeu-o no ar (imagem ao lado), ele perdeu as forças e foi vencido.

O fim de Hércules foi caracteristicamente dramático. Uma vez, quando ele e sua nova noiva Dejanira estavam atravessando um rio, o centauro Nesso ofereceu-se para transportar Dejanira, e no meio da correnteza tentou raptá-la.

Hércules matou-o com uma de suas flechas envenenadas, e, ao morrer, Nesso, simulando arrependimento, incentivou Dejanira a pegar um pouco de sangue do seu ferimento e guardá-lo; se Hércules algum dia parecesse cansado dela, deveria embeber um traje no sangue e dá-lo para que ele o vestisse; após isso, ele nunca mais olharia para outra mulher.

Anos mais tarde, Dejanira lembrou-se deste conselho quando Hércules, voltando de uma distante campanha, mandou à frente uma linda princesa aprisionada pela qual estava evidentemente apaixonado. Dejanira mandou a seu marido um robe tingido pelo sangue; ao vestir a roupa, o veneno da Hidra penetrou na sua pele e ele tombou em terrível agonia. Seu filho mais velho, Hilo, levou-o ao Monte Eta e depositou seu corpo, retorcido porém ainda respirando, numa pira funerária, a qual acabou sendo acesa pelo herói Filoctetes. Entretanto, os trabalhos de Hércules asseguraram-lhe a imortalidade, assim ele subiu ao Olimpo e assumiu seu lugar entre os deuses que vivem eternamente.

Associações com os germânicos

O historiador romano Tácito registra uma afinidade especial dos povos germânicos por Hércules. No terceiro capítulo de sua obra Germania, escrita em 98 d.C., ele afirma:

"Entre eles existira a memória de Hércules, celebrado como o primeiro dos heróis ao marcharem para as pugnas. Têm eles, também, da mesma forma, cânticos, cujos versos, a que chamam 'barito', acendem os ânimos e, de acordo com a nota cantada, auguram a fortuna da luta vindoura; tremem ou se agitam, segundo o que cantam as tropas."

Maças de Hércules do período romano aparecem a partir do século II, espalhando-se por todo o império, incluindo a Britânia Romana, a maioria feitos de ouro. Um exemplar descoberto em Köln-Nippes apresenta a inscrição "DEO HER [culi]" ("Ao Deus Hércules"), confirmando a associação com Hércules.

Do século V ao VII, durante o Período das Migrações, teoriza-se que o amuleto tenha se espalhado, rapidamente, da área do Elba germânico para toda a Europa. Estas "Clavas de Donar" eram feitas de chifres de cervos, ossos ou madeira e, mais raramente, de bronze e outros metais preciosos. Eram encontrados quase sempre em sepulturas de mulheres, aparentemente vestidas penduradas no cinto, ou como um brinco. Este tipo de amuleto foi substituído durante a era viking pelo Martelo de Thor (Mjölnir), no decorrer da cristianização da Escandinávia ocorrida entre os séculos VIII ao IX.

Herácles (grego)

Na mitologia grega, Héracles (Hércules, na mitologia romana) era filho de Zeus e Alcmena. Seu pai tomou a forma do marido de Alcmena, Anfitrião (que estava na Guerra dos Sete Chefes), e uniu-se a ela. Ao nascer, Zeus, para torná-lo imortal, pediu a Hermes que o levasse para junto do seio de Hera, quando esta dormia, e o fizesse mamar. A criança sugou com tal violência que, mesmo após Héracles ter terminado, o leite da deusa continuou a correr e as gotas caídas formaram no céu a via-láctea e na Terra, a flor-de-lis. 

Foi Héracles o mais célebre dos heróis da mitologia, símbolo do homem em luta contra as forças da natureza. 

A sua primeira façanha deu-se quando se dirigiu a Beócia, cidade próxima de Tebas, e perseguiu e matou apenas com as mãos um enorme leão que devorava os rebanhos de Anfitrião e de Téspio. A caçada durou cinquenta dias consecutivos, durante os quais Héracles foi hóspede de Téspio, que aproveitou para unir cada uma das suas cinquenta filhas com ele, de maneira a criar uma aguerrida descendência, conhecidos pelos Tespíadas, que se espalharam até a Sardenha.

Por livrar a cidade de Tebas de um tributo que tinha de pagar à de Orcómeno, o rei da primeira, Creonte (filho de Meneceu), casou-o com a sua filha mais velha, Mégara. Num acesso de loucura provocado por Hera, Héracles matou os filhos tidos com Mégara. Após recuperar a sanidade, Héracles foi a Delfos consultar um oráculo sobre o meio de se redimir desse crime e poder continuar com uma vida normal. O oráculo ordenou-lhe que servisse, durante doze anos, o seu primo Euristeu, rei de Micenas e de Tirinto. Pondo-se Héracles ao seu serviço, o rei, simpatizante de Hera, que não cessava de perseguir os filhos adulterinos de Zeus, impôs-lhe, com a oculta intenção de o eliminar, doze perigosíssimos trabalhos, dos quais o herói saiu vitorioso.

OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES

Os trabalhos

Em seus trabalhos, Hércules tinha frequentemente a companhia de um jovem companheiro (um eromenos) - de acordo com Licímnio e outros autores antigos - como por exemplo Jolau, seu sobrinho. Embora ele devesse inicialmente realizar apenas dez trabalhos, este auxílio fez com que ele tivesse de realizar dois a mais, já que Euristeu não contou o trabalho da Hidra, porque Iolau o havia ajudado, ou os estábulos de Aúgio, pelo qual recebeu pagamento pelo trabalho, e que foi realizado pelas águas de um rio.

A ordem tradicionalmente aceita, encontrada em Apolodoro é:

1.O LEÃO DE NEMÉIA:

No Peloponeso, estrangulou o Leão de Neméia - filho dos monstros Ortro e Equidna - que devastava a região e que os habitantes do local não conseguiam matar. Na segunda tentativa de matá-lo, tendo a primeira sido infrutífera, estrangulou-o, após com ele lutar. Acabada a luta, arrancou a pele do animal com as suas próprias mãos e passou a utilizá-la como peça do vestuário. A criatura converteu-se na constelação de leão.

2. HIDRA DE LERNA:

Matou a Hidra de Lerna, filha monstruosa de duas criaturas grotescas, a Equidna e Tifão. Era uma serpente com corpo de cão, que possuía nove cabeças (uma delas parcialmente de ouro e imortal), que se regeneravam mal eram cortadas, e exalavam um vapor que matava quem estivesse por perto. Hércules matou-a cortando suas cabeças enquanto seu sobrinho Jolau impedia sua reprodução, queimando suas feridas com tições em brasa. A deusa Hera enviou ajuda à serpente – um enorme caranguejo, mas Hércules pisou-o e o animal converteu-se na constelação de Câncer (do latim cancer, "caranguejo"). Por fim, o herói banhou suas flechas com o sangue da serpente para que ficassem envenenadas.

3. CORÇA DE CERÍNIA DOS PÉS DE BRONZE:

Alcançou correndo a Corça de Cerínia, um animal lendário, com chifres de ouro e pés de bronze. A corça, que corria com assombrosa rapidez e nunca se cansava, era Taígete, ninfa que, para fugir a perseguição de Zeus, foi transformada por Ártemis no animal. Como ela tinha uma velocidade insuperável, Hércules a perseguiu incansavelmente durante um ano até que, exausta, foi atingida por uma flecha disparada pelo herói. Ferida levemente, foi levada nos ombros do herói até o reino de Euristeu. Em outra versão do mito, Héracles tinha de capturar a corça, mas sem machucá-la; ele a perseguiu durante um ano, até conseguir pegá-la com uma rede, porém ela acabou se ferindo. O herói pôs, então, a culpa em Euristeu, para que Ártemis se zangasse com ele. Em uma terceira versão, Hércules levou um ano para realizar o trabalho a seguir, que era capturar a corça que habitava o monte Carineu. Este animal parecia ser mais tímido do que perigoso, e sagrado para Ártemis; Hércules finalmente aprisionou-a e estava levando-a para Euristeu quando se encontrou com Ártemis, que estava muito zangada e ameaçou matá-lo pelo atrevimento em capturar seu animal; mas quando ficou sabendo sobre os trabalhos, concordou em deixar Hércules levar o animal, com a condição que Euristeu o libertasse logo que o tivesse visto.

4. JAVALI DE EURIMANTO:

Capturou vivo o Javali de Eurimanto, que devastava os arredores, ao fatigá-lo após persegui-lo durante horas. Euristeu, ao ver o animal no ombro do herói, teve tamanho medo que foi se esconder dentro de um caldeirão de bronze. As presas do animal foram mostradas no templo de Apolo, em Cumas.

5. AS CAVALARIÇAS DE ÁUGIAS:

Limpou em um dia os currais do rei Aúgias, que continham três mil bois e que há trinta anos não eram limpos. Estavam tão fedorentos que exalavam um gás mortal. Para isso, Hércules desviou dois rios.

6. AS AVES DO LAGO ESTÍNFALE:

Matou no lago Estínfalo, com suas flechas envenenadas, aves monstros cujas asas, cabeça e bico eram de ferro, e que, pelo seu gigantesco tamanho, interceptavam no voo os raios do Sol. Com seu arco, conseguiu matar alguns e os outros, expulsou a outros países.

7. O TOURO DE CRETA:

A sétima tarefa de Hércules era levar o Touro de Creta vivo até Euristeu, que por sua vez o entregaria a Hera. O touro era enraivecido e aterrorizava o povo da ilha grega de Creta, pois Poseidon, o deus dos mares, o havia oferecido a Minos, rei local, como sacrifício, e o rei não teve coragem de sacrificar um animal tão bonito e tão forte. Hércules não só capturou-o como, montado no animal, levou-o até Euristeu.

8. OS CAVALOS DE DIOMEDES:

Castigou Diomedes, filho de Ares, possuidor de cavalos que vomitavam fumo e fogo, e a que ele dava a comer os estrangeiros que as tempestades arrolavam à sua costa. O herói entregou-o à voracidade de seus próprios animais.

9. O CINTO DE HIPÓLITA:

Venceu as amazonas, tirou-lhes a rainha Hipólita, apossando-se do cinturão mágico que ela vestia.

10. OS BOIS DE GERION:

Matou o gigante Gerion, monstro de três corpos, seis braços e seis asas, e tomou-lhe os bois que se achavam guardados por um cão de duas cabeças, e um dragão de sete.

11. O CÃO DOS INFERNOS (Cérbero)

O décimo primeiro trabalho consistiu em trazer do mundo dos mortos o seu guardião, o cão Cérbero. Hades autorizou-o a levar Cérbero para o cimo da Terra sob a condição de conseguir dominá-lo sem usar as suas armas. Hércules lutou com ele só com a força dos seus braços, quase o sufocou, dominando-o. Depois levou-o a Euristeu, que, com medo, ordenou-lhe que o devolvesse.

12. O POMO DAS HESPÉRIDES:

Colheu os pomos de ouro do Jardim das Hespérides, após matar o dragão de cem cabeças que os guardava. O dragão foi morto por Atlas, a seu pedido, e durante o trabalho, ele sustentou o céu nos ombros, no lugar do gigante.

Outras Façanhas:

Após esses trabalhos, Héracles entregou-se a muitos outros, por sua livre vontade, na defesa dos oprimidos: 

Matou, no Egito, o tirano Busíris que sacrificava todos os estrangeiros que aportavam ao seu Estado;

Tendo encontrado Prometeu acorrentado por Zeus no cume do Cáucaso, entregue a um abutre que devorava o seu fígado, libertou-o;

Estrangulou o gigante Anteu que, em luta, recuperava a força sempre que conseguia tocar, com os pés, o solo;

Entre as façanhas de Héracles, conta-se ainda separar os montes Calpe (da Espanha) e Ábilia (da África), abrindo assim o estreito de Gibraltar;

Disputou com Aquelos a posse de Dejanira, filha de Eneu, rei da Etólia. Como a princesa a Hércules preferia, Aquelos, furioso, transformou-se em serpente e investiu contra ele; repelido, transformou-se em touro, e de novo arremeteu; mas o herói enfrentou-o, pela segunda vez, quebrando-lhe os chifres, e desposou Dejanira. Em seguida, tendo de atravessar o rio Eveno, pediu ao Centauro Nesso que conduzisse Dejanira ao ombro, enquanto ele faria a travessia a nado.

No meio do caminho, tendo Nesso se recordado de uma injúria que outrora Hércules lhe dirigira, resolveu, por vingança, raptar-lhe a esposa, passando, com esse intuito, a galopar rio acima. O herói, tendo percebido as suas intenções, aguardou que ele alcançasse terra firme, e então atravessou-lhe o coração com uma das flechas envenenadas. Nesso tombou, e, ao expirar, deu a Dejanira a sua túnica manchada do sangue envenenado, convencendo-a de que seria, para ela, um precioso talismã, com a virtude de restituir-lhe o esposo, se este viesse, em qualquer tempo, a abandoná-la;

Mais tarde, Héracles apaixonou-se pela sedutora Iole, e se dispunha a desposá-la, quando recebeu de Dejanira, como presente de núpcias, a túnica ensanguentada, e, ao vesti-la, o veneno infiltrou-se-lhe no corpo; louco de dores, ele quis arrancá-la, mas o tecido achava-se de tal forma aderido às suas carnes que estas lhe saíam aos pedaços. Vendo-se perdido, o herói ateou uma fogueira e lançou-se às chamas. Logo que as línguas de fogo começaram a serpentear no espaço, ouviu-se o rebumbar do trovão. Era Zeus que arrebatava seu filho para o Olimpo, onde ganhou a imortalidade e, na doce tranquilidade, recebeu Hebe em casamento.

PERSONAGENS LIGADOS DIRETAMENTE A HÉRCULES:


ANTEU:


Anteus ou Antaeus (ou Änti em língua berbere, não se devendo confundir com Anta da mitologia egípcia, cujo nome foi transliterado como Antaeus pelos gregos) na mitologia grega e na mitologia berbere, era filho de Poseidon e Gaia. Casou-se com Tinjis.

Extremamente forte quando estava em contato com o chão (ou a Terra, a sua mãe), ficava extremamente fraco se fosse levantado ao ar. Desafiava todos os seus possíveis rivais para combates corpo a corpo que terminavam, invariavelmente, com a morte do seu adversário. Um dos seus objetivos era utilizar os esqueletos dos viajantes que matava para edificar um templo em honra do deus seu pai. No entanto, Héracles conseguiu descobrir o seu calcanhar de Aquiles e conseguiu derrotá-lo.

Hércules descobriu que nunca conseguiria vencer Anteu atirando-o contra o chão, assim como Anteu não conseguia derrotar Hércules esmagando-lhe o crânio. Héracles conseguiu a morte de Anteu levantando-o do chão, mantendo-o suspenso até à morte. O mito tem sido utilizado como fábula que simboliza a força espiritual que é mantida pela fé nas coisas imediatas e factuais - as coisas terrenas.

Plínio, o Velho, citando Euanthes, escreveu, na sua História Natural (viii. 22), que um homem da família de Anteu, depois de escolhido por algumas pessoas, foi levado para um lago da Arcádia, onde pendurou as roupas num freixo, atravessando o lago a nado. Foi, por conseguinte, transformado num lobo, tendo vagueado nessa forma por nove anos. Se conseguisse passar esse tempo sem atacar um ser humano, poderia voltar a atravessar o lago a nado e tomar a sua forma humana original. É um dos primeiros relatos sobre licantropia que se conhecem.

Na Divina Comédia, Anteu assume a forma de um gigante que guarda o nono círculo do Inferno. É ele que levará Dante e Virgílio até ao fundo desse círculo onde corre o rio gelado do Cocito.

CACO:

Caco (em latim: Cacus), na mitologia romana, era filho do deus do fogo Vulcano, e vivia numa caverna sob o monte Aventino. Segundo Vergílio, na epopéia Eneida, Caco é um gigante semi-humano. Já o poeta Dante Alighieri, na sua Divina Comédia, o retratou como um centauro, irmão dos centauros que guardam o Sétimo Círculo.

Hércules é o herói da mitologia romana (Héracles na grega) que é conhecido pela sua força e coragem. É filho de Júpiter e de uma mortal.

Após ter matado a sua família por loucura, numa tentativa de penitência, Hércules tornou-se servo do rei de Micenas, aceitando cumprir tarefas impossíveis para qualquer mortal. Um dos trabalhos de Hércules (o seu décimo trabalho) consistia em roubar o gado de Gerião, o rei de Tartesso. Depois de terminada a tarefa, quando regressava, parou para descansar em casa do rei Evandro. É aqui que Caco aparece em cena: naquela noite, Caco rouba dois dos melhores touros e quatro novilhos, arrastando o gado pelas caudas com intuito de cobrir as suas pegadas. Quando Hércules despertou, procurou em vão o gado perdido. Porém, quando estava a passar perto da caverna onde Caco estava escondido, um dos novilhos mugiu ruidosamente. Hércules, seguindo o som, encontrou Caco e matou-o, recobrando assim o gado.

CEIX ALCIONE:

Rei de Tessália e esposo de Alcíone. Pereceu em um naufrágio quando ia consultar um oráculo. Foi transformado em pássaro, a exemplo de sua esposa.

Alcíone (ou Alcyone) era filha de Éolo, deus dos ventos. Era casada com Ceix, até este morrer em um naufrágio. Advertida por um sonho deste acontecimento, Alcíone se atirou no mar. Os deuses, compadecidos pela desgraça, transformaram-nos uma ave marinha, chamada alcíone.

Éolo, segundo a mitologia, fazia com que os ventos se acalmassem durante um período de sete dias no inverno, quando os alcíones põem ovos.

ÍFICLO:

Ou Iphicles é um personagem da mitologia grega, filho de Anfitrião e Alcmena, e irmão do Héracles. Ferido desde a primeira expedição de seu irmão contra Argeu, rei dos eleanos, morreu em Fenéia, na Arcádia. As feneates rendiam todos os anos, sobre a sua sepultura, as honras heroicas.

HILO:

Hilo, na mitologia grega, foi um filho de Héracles e Dejanira. Ele morreu tentando conquistar o Peloponeso. Os descendentes do seu pai, os heráclidas, acabaram conquistando e destruindo a civilização micênica, o que corresponde às invasões dóricas. Foi Hilo que matou Euristeu contra os Heráclidas.

IOLAS:

Sobrinho de Hércules, foi seu companheiro de trabalhos, com ele tomou parte na expedição dos Argonautas, casou com Mégara, repudiada pelo herói, pós-se à frente dos Heráclidas com Hilo, e o ajudou na vitória contra Euristeu. Transportou uma colônia de Tespíades à sardenha, passou à Sicília, regressou à Grécia onde, depois de sua morte, dedicaram-lhe monumentos heroicos.

BUSIRIS:

Busíris na mitologia grega foi um rei no Egito, filho de Poseidon. Busíris costumava sacrificar os estrangeiros aos deuses para evitar a seca em seu reino. Busíris foi liquidado por Héracles. Detalhe interessante: como Busíris era neto de Ió, ilustre ancestral de Héracles, os dois eram parentes.

HIPOCOON:

Hipocoon, filho de Ebale, rei de Esparta, e de Gorgofone, filha de Perseu, disputou a coroa com o irmão Tíndaro e o expulsou do reino. Hércules interveio, lutou e enfrentou-o, matando, dessa forma, Hipocoon, e restabeleceu Tíndaro no trono.

Fonte: P.Commelin - Mitologia Grega Romana

EURITO:

Personagem da mitologia grega, rei de Ecalia, cidade de Etólia setentrional, era um célebre arqueiro, com tiros extremamente certeiros e famoso por sua grande pontaria. Prometera sua filha Iole para aquele que o vencesse. Héracles (Hércules) o venceu, mas tendo Eurito recusado, foi morto por Héracles (Hércules).

Fonte: P. Commelin - Mitologia Grega e Romana.

ERIX:

Personagem da mitologia romana, foi filho de Vênus e de Butes, foi rei de um cantão na Sicília chamado Erícia. Orgulhoso de sua força prodigiosa e da sua reputação como pugilista, desafiava a todos que se apresentassem nas redondezas, e costumava matar os que vencia. Foi o que fez quando viu Hércules entrando na cidade, com os bois de Gerion. Ao saber que  Hércules perderia sua imortalidade se perdesse os bois de Geion, colocou seu reino no jogo, porém Hércules o venceu e o enterrou no templo de Vênus.

Fonte: P. Commelin - Mitologia Grega Romana

AQUEMON E PÁSSALO:

Personagem da mitologia grega, Aquemão ou Aquemon irmão de Basalas ou Passalo, Cercope. Eram tão brigões que atacavam todos que encontravam. Sua mãe alertava para não cair na mão de um certo Melampigio, que era um homem de nádegas pretas. Certa vez, encontraram Hércules dormindo embaixo de uma árvore, insultaram e atacaram Hércules que facilmente os dominou, amarrou-os, com os pés juntos, pendurando-os pelos pés, deixando-os de cabeça para baixo. Começaram a chorar e a berrar, dizendo que tinham encontrado o homem da bunda preta, o tal do Melampigio. Prontamente Hércules se pôs a rir e os libertou.

Fonte: Tassilio Orpheu Spalding - Dicionário de Mitologia Greco-Latino

LAOMEDONTE E HESIONE:

Na Mitologia grega, Laomedonte foi um rei de Tróia, pai de Príamo, Lampus, Hicetaon e Hesíone. Algumas versões também incluem Titono como seu filho.

O seu filho Ganimedes foi raptado por Zeus, que se tinha apaixonado pelo belo rapaz, para grande lamento de Laomedonte. Zeus, comovido, enviou Hermes para lhe dar dois cavalos que eram tão rápidos que podiam correr sobre a água. Zeus também assegurou que Ganimedes se tornaria imortal.

Foi auxiliado por Poseidon e Apolo, que tinham ofendido Zeus e foram castigados a servirem Laomedonte, a construir as grandes muralhas de Tróia. Laomendonte prometeu-lhes uma recompensa pelo trabalho. Porém, quando tudo foi concluído, Laomedonte recusou-se a dar-lhes o prêmio prometido e Poseidon, furioso pela quebra da promessa, enviou um monstro marinho para o território de Tróia, que devastou a cidade e a região.

Aconselhados por um oráculo, os troianos sacrificavam, de tempos a tempos, uma mulher para apaziguar a fúria de Poseidon. Numa das ocasiões, a mulher a sacrificar era Hesíone, a filha de Laomedonte. Aconteceu que Héracles estava a regressar da sua expedição contra as Amazonas, e ele prometeu salvar Hesíone matando o monstro marinho, se lhe fosse prometido que Laomedonte lhe daria os cavalos divinos que possuía, oferecidos por Zeus. Laomedonte concordou, e Héracles matou o monstro, mas a promessa foi quebrada. Héracles então matou Laodemonte e os seus filhos, à exceção de Podarge, que lhe deu um véu dourado, oferecido pela sua irmã Hesíone. Esta foi depois dada a Télamon e Podarge; a partir desse dia, ficou conhecido como Príamo.

MEGARA:

Mégara (em grego, Μέγαρα – grandes casas) era uma cidade-estado da Grécia Antiga. Prosperou imensamente no século VII a.C., tendo, inclusive, fundado colônias. Participou das guerras médicas e lutou contra Corinto em 459 a.C. com ajuda de Atenas. Durante a guerra do Peloponeso, teve o seu território devastado e entrou em declínio. Revigorada como colônia romana, foi definitivamente arruinada na Idade Média. Sua principal colônia foi construída em 667 a.C.: Bizâncio, capital do império Bizantino e atual Istambul. A moderna Mégara é uma aglomeração de vocação agrícola da Ática, a 43 kM a oeste de Atenas. Construída sobre a cidade antiga, é atravessada pela auto-estrada que liga a capital grega a Corinto e Pátras. Encontra-se num território de colinas semeado de olivares. Sua população em 2001 atingia 32.000 habitantes.

ALCESTE:

Alceste é a filha de Pélias na mitologia grega. É prometida àquele que fosse até ela num carro puxado por leões e javalis. Admeto, a quem Apolo estava comprometido a servir durante um ano, executa uma tarefa com a ajuda do deus e ganha a mão de Alceste. Porém, Admeto logo adoece, e Apolo consegue fazer com que as Parcas o poupem, com a condição de que outro se sacrifique por ele. Admeto não se preocupa muito com essa condição pensando em todos seus servos que lhe deviam favores e que gostavam muito dele e fica muito alegre com a nova esperança. Porém, ninguém se habilita, nem seus velhos pais. Alceste então oferece-se como substituta. Admeto tinha muito amor à vida, mas não desejava mantê-la a tal custo. Porém, a condição das Parcas fora satisfeita, e enquanto Admeto ia recuperando as forças, Alceste adoecia. Hércules, que passava por lá, ouve o lamento dos servos que não queriam perder uma querida senhora e tão dedicada esposa, e espera na porta do quarto de Alceste a chegada da Morte. Quando esta chega, Hércules a agarra e obriga-a a desistir de seu intento de roubar a vida de Alceste. Assim, ela vai se recuperando e pôde continuar a viver ao lado de seu amado marido.

ONFALE:

Ônfale, na mitologia grega, era rainha da Lídia, teve Hércules como escravo durante três anos (ou apenas um, conforme outros). Usou, durante este tempo, a pele do leão de Hércules, enquanto este trajava suas roupas femininas, fiando o linho aos seus pés.

CENTAURO FOLO:

Centauro famoso foi Folo, filho de Sileno e de uma ninfa, habitante da região de Fóloe, na Élida. Conta a lenda que durante os seus doze trabalhos, Héracles (Hércules) atravessou esta região. O herói encontrou boa hospitalidade na casa de Folo, que lhe ofereceu comida e pouso. Durante a ceia, Héracles solicitou vinho a Folo, mas o Centauro hesitou em servi-lo, temendo que o cheiro da bebida atraísse os demais Centauros, que diante da embriaguez tornavam-se bestiais. Mas Héracles insistiu e Folo acabou por ceder. Ao sentir o cheiro do vinho, outros Centauros foram atraídos à casa de Folo. Lá chegando, exigiram que lhes fosse servida a bebida. Embriagados, envolveram-se em uma grande luta, fazendo com que Héracles intervisse. A luta só parou quando muitos deles foram mortos pelo herói, e outros tantos fugiram. Folo, ao arrancar a flecha do corpo de um Centauro morto, feriu-se na mão, e veio rapidamente a morrer dias depois por causa do veneno contido na ponta da flecha. Héracles (Hércules) fez-lhe magníficos funerais, enterrando-o na montanha que passou a ter seu nome.

CENTAURO NESSO:

De acordo com a mitologia grega, Nesso foi um centauro, filho de Ixion e Nefele, a Nuvem. Certa vez tentou violentar Dejanira, mulher de Héracles. O herói o matou a flechadas. Antes de morrer, o centauro maliciosamente disse a Dejanira que seu sangue seria capaz de fazer Héracles amá-la para sempre. Quando o interesse deste pela esposa passou a diminuir, Dejanira, sem ciência de que o sangue era, na verdade, um poderoso veneno, o aplicou em uma veste do marido. Héracles a vestiu e imediatamente passou a sentir os efeitos do veneno queimando sua carne. Este evento acabou por resultar na morte terrena do herói grego.

OUTRAS MULHERES NA VIDA DE HÉRCULES:

  • Epicasta, filha de Egeu, teve de Hércules a filha chamada Tessala. 
  • Partenope filha de Estínfale, teve o filho Everres. 
  • Augéia, filha de Aleo, rei da Arcádia, foi a mãe de Teléfo. 
  • Astiquéia, filha de Filanto, teve o filho chamado Tlepóleme. 
  • Astidámia, filha de Amintor, rei dos dolopes e mãe de Lépreas, sempre tentou reconciliar o filho com o pai. Lépreas desafiou o próprio pai, porém Hércules foi sempre vencedor aos desafios feitos pelo próprio filho; num acesso de cólera e de embriaguez, acabou morto em combate pelo pai Hércules, em legítima defesa, num dos seus desafios.











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