quarta-feira, 20 de julho de 2011

Símbolos Esotéricos I





A CRUZ

A cruz constitui um capítulo à parte da simbologia gráfica. Símbolo extremamente antigo e de caráter universal, a cruz pode ser encontrada em um número muito grande de variações sobre seu tema. Mas o modelo básico é sempre a interseção de dois segmentos retos, um vertical e o outro horizontal.

O significado arquetipal do símbolo da cruz é sempre o da conjunção dos opostos: o eixo vertical (masculino) com o eixo horizontal (feminino); o positivo com o negativo; o homem com a mulher; o superior com o inferior; o tempo com o espaço; o ativo com o passivo; o Sol com a Lua; a vida com a morte; Espírito e matéria, etc.

A união dos opostos é a ideia central contida na simbologia da crucificação de Cristo, e a razão pela qual a cruz foi escolhida como emblema magno do cristianismo. O sentido básico da crucificação é o de experienciar a essência do antagonismo, uma ideia que reside na própria raiz da existência, já que tudo no universo (e no homem) nasce e se desenvolve a partir do choque doloroso de forças antagônicas.

A cruz tem um significado religioso e esotérico para povos tão distintos e tão distantes como os fenícios, persas, etruscos, romanos, egípcios, celtas, peruanos, mexicanos e os indígenas da América Central e do Norte.

A teosofia explica o sentido místico da cruz como sendo originário do dualismo andrógino presente em todas as manifestações da natureza. A cruz significa, assim, a ideia do homem regenerado, aquele que conseguiu integrar harmoniosamente as suas duas partes e que, "crucificado" como mortal, como homem de carne com suas paixões, renasce como imortal.

Na simbologia rosacruz, a cruz ocupa posição proeminente. Aqui ela simboliza os quatro reinos da natureza. O reino mineral anima a todas as substâncias químicas, de maneira que a cruz feita de qualquer material é símbolo desse reino. O madeiro inferior da cruz representa o reino vegetal, porque, esotericamente, as correntes dos espíritos-grupos que dão vida às plantas provêm do centro da Terra. O madeiro superior simboliza o homem, porque as correntes vitais que animam o ser humano descem do Sol e impregnam o planeta Terra. O madeiro horizontal simboliza o reino animal, que se encontra entre os reinos vegetal e humano, com a sua coluna vertebral na posição horizontal.

O estudioso Cirlot, uma das maiores autoridades mundiais em símbolos, explica também que a cruz, como o símbolo da "Árvore da Vida", funciona como emblema do "eixo do mundo". Situada no centro ou coração místico do cosmos, a cruz transforma-se, simbolicamente, na ponte ou escada, através da qual a alma pode chegar a Deus. A cruz afirma, assim, a relação básica entre o mundo celestial e o terreno. Em outras palavras, é através da experiência da crucificação (o conhecimento vivenciado dos opostos) que se chega ao centro de si mesmo (a iluminação).

Carl Jung comenta também que, em algumas tradições, a cruz é símbolo do fogo e dos sofrimentos da vida. Tal concepção parece ter origem no fato de que os dois eixos da cruz estão associados com os dois bastões de madeira que o homem primitivo usava para produzir o fogo, esfregando um no outro até produzir combustão. Um dos bastões era considerado masculino, e o outro, feminino.


CRUZ DE SANTO ANDRÉ:

Símbolo da união do mundo superior com o mundo inferior. Tem esse nome porque, segundo a história, Santo André foi martirizado numa cruz dessa forma.


CRUZ DE SANTO ANTONIO (TAU):

Reproduz o desenho da letra grega Tau. Para os gauleses representa o martelo de Thor, também com representação de um martelo com duas cabeças (símbolo daquele que se faz cumprir.  É também símbolo de São Francisco de Assis.


CRUZ CRISTÃ:

Também chamada de Cruz Latina, é o mais exaltado dos emblemas da fé cristã. Os romanos utilizavam a cruz feita de duas madeiras como meio de execução de criminosos e inimigos do estado romano. Pela martirização de Jesus Cristo, ela se tornou o símbolo do Cristianismo no mundo religioso. Origem: Foram encontrados, bem antes da era Cristã, sinais em formas de cruz, de diferentes formatos, em quase todas as partes do Velho Mundo: Índia, Síria, Pérsia, Egito, em todos foram encontrados inúmeros exemplos. O uso da cruz como símbolo religioso em tempos pré-cristãos e entre povos não-cristãos pode, provavelmente, ser tido como universal, e, em muitos casos, estava ligado com alguma forma de culto à natureza.


CRUZ DE ANU:

Para os assírios e Caldeus esta cruz representava o céu de seu Deus Anu. Para eles, esse símbolo sugere a irradiação no espaço de sua poderosa energia, em todas as direções.

CRUZ ANSATA: 

Importantíssimo símbolo solar egípcio, trata-se da união de dois símbolos, a cruz Tau com um círculo. A cruz ansata, na realidade, é um hieróglifo, significando VIDA ou ATO DE VIVER e formando parte das palavras SAÚDE e FELICIDADE. Como símbolo gráfico, a cruz ansata expressa uma profunda idéia, o círculo como a vida (o espírito) colocando-se na superfície da matéria inerte para vivificá-lo. Também interpretada como o sol, céu e a terra (horizonte - Representado como o traço transversal). Também interpretada como o homem de braços aberto.


CRUZ SUÁSTICA (CRUZ GAMADA):

Um dos mais antigos símbolos da humanidade, a suástica representa a energia criativa do cosmos em movimento. Por isso ela pode ter dois sentidos: DESTRÓGIRO (Seus braços giram no sentido do relógio - para a direita) e SINISTRÓGIRO, no sentido inverso dos ponteiros do relógio - para a esquerda. A destrógiro indica o sentido evolutivo do universo, do tempo. O inverso significa a dinâmica contrária, involutiva, o passado. A suástica adquiriu má reputação devido ao uso simbólico do nazismo, escolhendo-o como símbolo político-ideológico.


CRUZ DE MALTA:

Também conhecida como cruz de São João, tem oito pontas. Como símbolo místico, significa as forças centrípetas do espírito, emblema da Ordem dos Cavaleiros de São João da Ilha de Malta. Também muito usada nas condecorações militares.


CRUZ PATRIARCAL:

Conhecida como Cruz que representava os Bispos, príncipes da igreja primitiva cristã. De acordo com a cultura popular e influências diversas, a Cruz de Caravaca pode adquirir outros nomes: Santíssima Vera Cruz de Caravaca, Cruz das Missões, Cruz de Lorena, Cruz de Borgonha, Cruz de São Miguel, Cruz Missioneira, Wishing Cross (cultura afro-americana). O significado é de proteção e devoção, ela é usada em forma de relíquia peitoral ou pedestal. Os dois braços representam a distinção arquiepiscopal ou patriarcal. Popularmente os dois braços significam fé redobrada.


CRUZ TEMPLÁRIA:

Um círculo com cortes, representando os machados, como símbolo de força, em defesa da fé cristã.


CRUZ DE JERUSALÉM:

Formada por um conjunto de cruzes, possui uma cruz principal ao centro, representando a lei do antigo testamento, e quatro menores dispostas em cantos distintos, representando o cumprimento desta lei no evangelho de cristo. Tal cruz foi adotada pelos cruzados graças a Godofredo de Bulhão, primeiro rei cristão a pisar em Jerusalém, representando a expansão do evangelho pelos quatro cantos da terra. 


CRUZ DA PÁSCOA:

Chamada por alguns de Cruz Eslava, possui um "braço" superior representando a inscrição colocada durante a crucificação de cristo, e outro inferior e inclinado, que traz um significado dúbio, dos quais se destaca a crença de que um terremoto ocorrido durante a crucificação causou sua inclinação.


ROSACRUZ:

A cruz: o corpo físico, a rosa: o eu interior, o espírito. O homem com os braços abertos, saudando o sol. Neste caso, o Sol representa a LUZ MAIOR. A rosa bem no centro representa a unidade do homem com sua missão cósmica (mundo material e espiritual). 

Outra interpretação é que a cruz significa a sabedoria do Salvador, o conhecimento perfeito. A rosa a purificação, o ascetismo que destrói os desejos carnais. A cruz simboliza a força masculina, a rosa a força feminina.


Fonte: Revista Planeta Especial - Símbolos Esotéricos - Junho 1983 - Editora Três


Próximo artigo: Símbolos Esotéricos II - O Círculo, O Triângulo, A Estrela







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