sexta-feira, 24 de junho de 2011

Mitologias Greco-Romanas - Parte III

OS DEUS DO OLIMPO - CONTINUAÇÃO

ARES - Na mitologia grega, Ares é filho de Zeus e Hera. Embora muitas vezes tratado como o deus olímpico da guerra, ele é, mais exatamente, o deus da guerra selvagem, ou sede de sangue, ou matança personificada.

Entre os Hellenes sempre houve desconfiança de Ares. "Para mim, você é o mais detestável dos deuses que mantêm o Olimpo," Zeus diz-lhe no Ilíada (5.890); "para sempre a luta é mais querida para você e guerras e matança". Embora também a meia irmã de Ares, Atena, fosse uma deidade da guerra, a posição de Athena era de guerra estratégica, enquanto Ares tendeu a ser a violência imprevisível da guerra. Abutres e cães, que se alimentam do cadáver no campo de batalha, são sagrados para ele.

O seu lugar de nascimento e a casa verdadeira foram colocados muito longe, entre os bárbaros e Trácios bélicos (Ilíada 13.301; Ovid, Ars Amatoria, II.10;), de onde ele se retirou, depois que o seu caso com Afrodite foi revelado.

Os Romanos identificaram-no como o Marte, o deus romano da guerra e agricultura (que eles tinham herdado dos Etruscos), mas entre eles Marte tinha uma estima mais alta.


Símbolos de Ares

Ares tinha uma quadriga desenhada com rédeas de ouro para quatro garanhões imortais que respiravam fogo (Ilíada v.352). Entre os deuses, Ares era reconhecido pela sua armadura de latão; ele brandia uma lança na batalha. Os seus pássaros agudos e sagrados eram a coruja de celeiro, o pica-pau, o bubo e, especialmente no sul, o abutre. Os pássaros de Ares eram um bando de pássaros que lançavam penas em forma de dardos e guardaram o templo das Amazonas do deus, em uma ilha costeira, no Mar Negro. Em Esparta, em uma noite ctônica, o sacrifício de um cão a Enyalios (filho de Ares) ficou assimilado ao seu culto. O sacrifício poderia ser feito a Ares na véspera de uma batalha para pedir sua ajuda.

Ares no culto
Embora importante na poesia, Ares era raramente incluído no culto na Grécia antiga, salvo em Esparta, onde ele era propiciado antes da batalha.

Em Esparta havia uma estátua do deus acorrentado, para mostrar que o espírito de guerra e vitória nunca deveria deixar a cidade. O templo a Ares em Agora de Atenas, que Pausânias viu no segundo século AD, só tinha sido movido e rededicado lá durante o tempo de Augusto; na essência, ele era um templo romano a Marte. O Areópago, "o monte de Ares", onde Paulo de Tarso pronunciou sermões, é situado em alguma distância da Acrópole; em tempos arcaicos era um terreno para disputas. A sua conexão com Ares, possivelmente baseado em uma etimologia falsa, pode ser puramente etiológica.

Atendentes
Deimos, "o terror", e Phobos "medo", eram seus companheiros na guerra, crianças nascidas de Afrodite, segundo Hesíodo. Ele também foi assistido pelo deus menor da guerra Enyalios, seu filho com Enyo, cujo nome ("bélico", o mesmo significado que Enyo) também servia como um título do próprio Ares. A presença de Ares era acompanhada por Kydoimos, o demônio do estrondo da batalha, bem como o Makhai (Batalhas), o Hysminai (Carnificinas), Polemos (um espírito menor da guerra, provavelmente um epíteto de Ares, como ele não teve nenhum domínio específico), e a filha de Polemos, Alala, a deusa/personificação do grito de guerra grego, cujo nome Ares usou como o seu próprio grito de guerra. Sua irmã Hebe também desenhou banhos para ele.

A fundação de Tebas

Uma atuação de Ares passou-se na própria Grécia, no mito da fundação de Tebas. Ares foi o progenitor do dragão d’água assassinado por Cadmo; os dentes do dragão foram semeados na terra, cresceram e geraram Espartanos autoctônicamente armados, uma corrida de homens combatentes, os descendentes de Ares. Para propiciar Ares, Cadmo tomou como noiva Harmonia, a filha da união de Ares com Afrodite, assim harmonizando toda a luta e fundando a cidade de Tebas.

Consortes e filhos


1.Aglauros: Alcippe
2.Afrodite (apesar de ser esposa de Hefesto): Anteros, Deimos ("Medo"),
Eros, Harmonia, Phobos ("Medo")
3.Enyo: Enyalios
4.Cirene: Diomedes
5.Harpina (ou Sterope): Oenomaus
6.Otrera (Rainha das Amazonas): Penthesilea, Hipólita, Antiope
7.Pyrene: Biston, Cicno (Kýknos), da Macedônia, foi tão assassino que tentou construir um templo com as caveiras e os ossos de viajantes. Heracles (Hércules) matou esta monstruosidade abominável, gerando a ira de Ares
8.Astyoche: Ascalaphus e Ialmenus
9.Bistonis: Tereus
10.Rhea Silvia (mitologia romana): Remus, Rômulo
11.Eritéia (uma das Hespérides, filhas de Atlas): Eurytion
12.Mães desconhecidas: Melanippe, Thrax

Ares no mito
No conto cantado pelo bardo na sala de Alcínoo, o Deus do sol Hélios uma vez espiou Ares e Afrodite amando-se, secretamente, na sala de Hefesto, e ele prontamente informou o incidente a Hefesto, que conseguiu pegar o casal em flagrante, e para tanto, ele fez uma rede especial, fina e resistente como o diamante para pegar os amantes ilícitos. No momento apropriado, esta rede foi jogada, e encurralou Ares e Afrodite em um abraço apaixonado. Mas Hefesto ainda não estava satisfeito com a sua vingança — ele convidou os deuses Olimpos e deusas a examinar o casal infeliz. Por causa da modéstia, as deusas duvidaram, mas os deuses testemunharam a vista. Alguns comentaram a beleza de Afrodite, os outros opinavam em trocar de lugar ansiosamente com Ares, mas todos zombaram dos dois. Uma vez que o casal foi solto, Ares, embaraçado, fugiu para a sua pátria, Trácia.

Ares e os gigantes

Em um mito arcaico e obscuro relacionado na Ilíada pela deusa Dione à sua filha Afrodite, dois gigantes ctônicos, os Aloídas, chamados Otus e Ephialtes, lançaram Ares em cadeias e puseram-no em uma urna de bronze, onde ele permaneceu durante treze meses, um ano lunar. "E teria sido o fim de Ares e o seu apetite da guerra, se a bela Eriboea, a madrasta dos jovens gigantes, não tivesse dito a Hermes o que eles tinham feito," ela relatou (Ilíada 5.385–391).  Ares ficou gritando e uivando na urna até que Hermes o resgatasse e Ártemis enganou os Aloídas, fazendo um assassinar o outro.

A Ilíada
Na Ilíada (V.699), Homero representou Ares como não dedicando lealdades nem respeito à Têmis, a ordem certa das coisas; ele prometeu a Atena e Hera que  lutaria do lado dos Aqueus, mas Afrodite foi capaz de persuadí-lo para o lado dos Troianos. Durante a guerra, Diomedes lutou com Heitor e viu Ares lutar do lado dos Troianos. Diomedes pediu que os seus soldados retrocedessem lentamente. Hera, a mãe de Ares, viu a sua interferência e pediu a Zeus, o seu pai, a permissão para expelir Ares do campo de batalha. Hera estimulou Diomedes a atacar Ares, que jogou uma lança em Ares e os seus gritos fizeram Aqueus e Troianos igualmente tremerem. Athena, então, pegou a lança e machucou o corpo de Ares, que gritou de dor e fugiu para o Monte Olimpo, forçando Troianos a retroceder (XXI. 391). Depois, quando Zeus permitiu que os deuses lutassem na guerra novamente, Ares tentou lutar contra Athena para vingar-se de seu dano prévio, mas foi mais uma vez ferido quando ela lançou um enorme seixo rolando nele. Contudo, quando Hera, durante uma conversa com Zeus, mencionou que o filho de Ares, Ascalaphus, foi morto, Ares desatou a chorar e quis se juntar à luta do lado dos Aqueus, descartando a ordem de Zeus que nenhum deus Olímpico devia entrar na batalha. Atena parou Ares e ajudou-o a tirar a sua armadura (de XV.110-128).

MARTE - era o deus romano da guerra, equivalente ao grego Ares. Filho de Juno e de Júpiter, era considerado o deus da guerra sangrenta, ao contrário de sua irmã Minerva, que representa a guerra justa e diplomática. Os dois irmãos tinham uma rixa, que acabou culminando no frente-a-frente de ambos, junto das muralhas de Tróia, cada um dos quais defendendo um dos exércitos. Marte, protetor dos troianos, acabou derrotado.



Marte, apesar de bárbaro e cruel, tinha o amor da deusa Vênus, e com ela teve um filho, Cupido, e uma filha mortal, Harmonia. Na verdade, tratava-se de uma relação adúltera, uma vez que a deusa era esposa de Vulcano, que arranjou um estratagema para os descobrir e prender numa rede, enquanto estavam juntos na cama.

O povo romano considerava-se descendente daquele deus porque Romulo era filho de Reia Sílvia ou Ília, princesa de Alba Longa, e Marte.

Assim como Marte é o deus romano da guerra, bem como seu correspondente Ares na mitologia grega, há também Cariocecus, ou Mars Cariocecus, que é o deus lusitano da guerra. O planeta Marte provavelmente recebeu este nome devido à sua cor vermelha. Lembre-se que vermelho é a cor do sangue e da violência, e não do amor, como o que foi traduzido na cultura popular, fazendo associação às rosas.


AFRODITE - era a deusa grega da beleza e do amor. Originário de Chipre, o seu culto estendeu-se a Esparta, Corinto e Atenas. Foi identificada como Vênus pelos romanos.

Era representada como uma mulher com uma coroa de flores, um ramo de oliva em uma das mãos e um símbolo da abundância na outra. Um dos mais belos e importantes templos de todo o Império Romano, situado na Vía Sacra de Roma, era consagrado a essa deusa. Sua construção foi iniciada por Agripina e terminada por Vespasiano, e lá depositaram-se todas as riquezas saqueadas do grande templo de Jerusalém.

Teogonia

De acordo com o mito teogônico mais aceito, Afrodite nasceu quando Urano (pai dos titãs) foi castrado por seu filho Cronos, que atirou seus testículos ao mar, que começou a ferver e a espumar. Esse efeito foi a fecundação que ocorreu em Tálassa, deusa primordial do mar. De aphros ("espuma do mar"), ergueu-se Afrodite e o mar a carregou para Chipre. Por isso, um dos seus epítetos é Kypris. Assim, Afrodite é de uma geração mais antiga que a maioria dos outros deuses olímpicos. Em outra versão (como diz Homero), Dione é mãe de Afrodite com Zeus, sendo Dione filha de Urano e Tálassa. Após jogar seus testículos ao mar, Zeus percebeu que algo acontecia no mar, e foi aí que Afrodite ergueu-se das espumas. O atributo de Afrodite era o espelho, pois ela era muito bonita.

Casamento
Após destronar Cronos, Zeus ficou ressentido pois, tão grande era o poder sedutor de Afrodite que ele e os demais deuses estavam brigando o tempo todo pelos encantos dela, enquanto esta os desprezava a todos, como se nada fosse. Como vingança e punição, Zeus fê-la casar-se com Hefesto, que usou toda sua perícia para cobri-la com as melhores jóias do mundo, inclusive um cinto mágico do mais fino ouro, entrelaçado com filigranas mágicas. Isso não foi muito sábio de sua parte, uma vez que quando Afrodite usava esse cinto mágico, ninguém conseguia resistir a seus encantos (segundo Homero, Afrodite e Hefesto se amavam, mas pela falta de atenção, Afrodite começou a trair o marido para melhor valorizá-la).

Relacionamentos e filhos

Alguns de seus filhos são Hermafrodito (com Hermes), Eros, deus do amor e da paixão (dependendo da versão, é filho de Hefesto), Aresou (com Zeus), Anteros (com Ares - a versão mais aceita, ou com Adônis, versão menos conhecida), Fobos, Deimos e Harmonia (com Ares), Himeneu, (com Apolo), Príapo (com Dionísio) e Enéias (com Anquises).

Os diversos filhos de Afrodite mostram seu domínio sobre as mais diversas faces do amor e da paixão humana. Afrodite sempre amou a alegria e o glamour, e nunca se satisfez em ser a esposa caseira do trabalhador Hefesto.

Afrodite amou e foi amada por muitos deuses e mortais. Dentre seus amantes mortais, os mais famosos foram Anquises e Adônis, que também era apaixonado por Perséfone, que aliás, era sua rival, tanto pela disputa pelo amor de Adônis, quanto no que diz respeito à beleza.

Vale destacar que a deusa do amor não admitia que nenhuma outra mulher tivesse uma beleza comparável com a sua, punindo (somente) mortais que se atrevessem comparar a beleza com a sua, ou, em certos casos, quem possuísse tal beleza. Exemplos disso são Psiquê e Andrômeda.

Cárites

Afrodite era acompanhada pelas Cárites, ou Graças como eram também conhecidas. Seus nomes eram Aglae ("A Brilhante", "O Esplendor"), Tália ("A Verdejante") e Eufrosina ("Alegria da Alma"), que faziam grinaldas para os seus cabelos e teciam vestidos com as mais belas cores. Essas fatiotas enchiam o ar com as mais inebriantes fragrâncias florais.

Culto
Suas festas eram chamadas de afrodisíacas e eram celebradas por toda a Grécia, especialmente em Atenas e Corinto. Suas sacerdotisas representavam a deusa. Seus símbolos incluem a murta, o golfinho, o pombo, o cisne, a romã e a limeira. Entre seus protegidos contam-se os marinheiros e artesãos.

Com o passar do tempo, e com a substituição da religiosidade matriarcal pela patriarcal, Afrodite passou a ser vista como uma Deusa frívola e promíscua, como resultado de sua sexualidade liberal. Parte dessa condenação a seu comportamento veio do medo humano, frente à natureza incontrolável dos aspectos regidos pela Deusa do Amor.

Em Corinto, praticava-se prostituição religiosa no templo da deusa. O sexo com as prostitutas, geralmente escravas, era considerado um meio de adoração e contato com a Deusa.

Além disso, Afrodite queria que todos à sua volta percebecem que ela tinha algo em comum com Hefestos, mais seu pai não a deixava falar com ele.

Deusas relacionadas
Afrodite tem atributos comuns com as deusas Vênus (romana), Freya (nórdica), Turan (etrusca), Ishtar (mesopotâmica), Inanna (suméria) e com Astarte (mitologia babilônica).

VÊNUS - é a deusa do panteão romano, equivalente a Afrodite no panteão grego. É a deusa do Amor e da Beleza. O nome vem acompanhado, por vezes, de epítetos como "Citereia" já que, quando do nascimento, teria passado por Citera, onde era adorada sob este nome.

O mito do nascimento conta que surgiu de dentro de uma concha de madrepérola, tendo sido gerada pelas espumas (afros, em grego). Em outra versão, é filha de Júpiter e Dione. Era considerada esposa de Vulcano, o deus manco, mas mantinha uma relação adúltera com Marte.

Vênus foi uma das divindades mais veneradas entre os antigos, sobretudo na cidade de Pafos, onde seu templo era admirável. Tinha um olhar vago, e cultuava-se o zanago dos olhos como ideal da beleza feminina. Possuía um carro puxado por cisnes.

Possui muitas formas de representação artística, desde a clássica (greco-romana) até as modernas, passando pela renascentista. É de uma anatomia divinal, daí considerada pelos antigos gregos e romanos como a deusa do erotismo, da beleza e do amor.



Os romanos consideravam-se descendentes da deusa pelo lado de Eneias, o fundador mítico da raça romana, que era filho de Venus com o mortal Anquises.

Na epopéia Os Lusíadas, Luís de Camões apresenta a deusa como a principal apoiante dos heróis portugueses.

A famosa estátua, a Vênus de Milo, e a mais conhecida e apreciada peça da escultura mundial, hoje, se encontra no Museu de Louvre, em Paris.






DIONISIO - Dioniso, Diónisos ou Dionísio era o deus grego equivalente ao deus romano Baco, das festas, do vinho, do lazer e do prazer. Filho de Zeus e da princesa Semele, foi o único deus filho de uma mortal.


Ocorreu que Hera, que sentiu ciúme de mais uma traição de Zeus, instigou Semele a pedir ao seu amante (caso ele fosse o verdadeiro Zeus) que viesse ter com ela vestido em todo seu esplendor; em outras versões, lhe pediu que a mostrasse sua verdadeira forma. Semele então pediu que Zeus atendesse a um pedido seu, sem saber qual seria, em algumas versões, ela o fez fazer uma promessa pelo Estige, o voto mais sagrado, que nem mesmo os deuses podem quebrar. Ele concordou e quando soube do que se tratava imediatamente se arrependeu. Uma vez concedido o pedido, teria que cumpri-lo.

Ele então voltou ao Olimpo, e colocou suas vestes maravilhosas (ou demonstrou sua verdadeira forma), já sabendo o que ocorreria. De fato, o corpo mortal de Semele não foi capaz de suportar todo aquele esplendor, e ela virou cinzas.

Assim, Dionisio passou parte de sua gestação na coxa de seu pai. Quando completou o tempo da gestação, Zeus o entregou em segredo a Ino (sua tia), que passou a cuidar da criança com ajuda das Dríades, das horas e das ninfas.

Depois de adulto, ainda a raiva de Hera tornou Dionísio louco, e ele ficou vagando por várias partes da Terra. Quando passou pela Frígia, a deusa Cíbele o curou e o instruiu em seus ritos religiosos.

Sileno ensina a ele a cultura da vinha, a poda dos galhos e o fabrico do vinho.

Curado, ele atravessa a Ásia ensinando a cultura da uva. Ele foi o primeiro a plantar e cultivar as parreiras; assim, o povo passou a cultuá-lo como deus do vinho.

Dionisio puniu quem quis se opor a ele (como Penteu) e triunfou sobre seus inimigos, além de se salvar dos perigos que Hera estava sempre pondo em seu caminho.

Nas lendas romanas, Dioniso tornou-se Baco, que se transforma em leão para lutar e devorar os gigantes que escalavam o céu e depois foi considerado por Zeus como o mais poderoso dos deuses.

É geralmente representado sob a forma de um jovem imberbe, risonho e festivo, de longa cabeleira loira e flutuante, tendo, em uma das mãos, um cacho de uvas ou uma taça, e na outra, um tirso (um dardo) enfeitado de folhagens e fitas. Tem o corpo coberto com um manto de pele de leão ou de leopardo, traz na cabeça uma coroa de pâmpanos, e dirige um carro tirado por leões.

Também pode ser representado sentado sobre um tonel, com uma taça na mão, a transbordar de vinho generoso, onde ele absorve a embriaguez que o torna cambaleante. Eram-lhe consagrados: a pega, o bode e a lebre.

Às mulheres que o seguiam como loucas, bêbadas e desvairadas, se dava o nome de bacantes.

É considerado, também, o deus protetor do teatro. Em sua honra faziam-se ditirambos na Grécia Antiga e festas dionisíacas.

Segundo o mito, Dionísio ordenou a seus súditos que lhe trouxesse uma bebida que o alegrasse e envolvesse todos os sentidos. Trouxeram-lhe néctares diversos, mas Dionísio não se sentiu satisfeito até que ofereceram o vinho.

O deus encheu-se de encanto ao ver a bebida, suas cores, nuances e forma como brilhava ao Sol, ao mesmo tempo em que sentia o aroma frutado que exalava dos jarros à sua frente. Quando a bebida tocou seus lábios, sentiu a maciez do corpo do vinho e percebeu seu sabor único, suave e embriagador.

De tão alegre, Dionísio fez com que todos os presentes brindassem com suas taças, e ao som do brinde pôde ser ouvido por todos os campos daquela região. A parti daí, Dionísio passou a abençoar e a proteger todo aquele que produzisse bebida tão divinal, sendo adorado como deus do vinho e da alegria.


BACO - é o equivalente romano do deus grego Dioniso, cujo mito é considerado ainda mais antigo por alguns estudiosos. Os romanos o adotaram, como muitas de suas divindades, estrangeiras à mitologia romana, e o assimilaram com o velho deus itálico Liber Pater. Algumas lendas mencionam que a cidade de Nysa (atual Nagar), na Índia, teria sido consagrada a ele.

É o deus do vinho, da ebriedade, dos excessos, especialmente sexuais, e da natureza. Príapo é um de seus companheiros favoritos (também é considerado seu filho, em algumas versões de seu mito). As festas em sua homenagem eram chamadas de bacanais - a percepção contemporânea de que tais eventos eram "bacanais" no sentido moderno do termo, ou seja, orgias, ainda é motivo de controvérsia.



Foi concebido da união adúltera entre a mortal Sêmele e o infiel senhor dos Deuses, Zeus (Júpiter). Sileno, seu companheiro, foi quem cuidou dele no princípio; em seguida as ninfas, as Bacantes, sátiros e pastores.

Sêmele, quando estava grávida, exigiu a Júpiter que se apresentasse na sua presença em toda a glória, para que ela pudesse ver o verdadeiro aspecto do pai do seu filho. O deus ainda tentou dissuadi-la, mas em vão. Quando finalmente apareceu em todo o seu esplendor, Sêmele, como mortal que era, não pôde suportar tal visão e caiu fulminada. Júpiter tomou então das cinzas o feto ainda no sexto mês e meteu-o dentro da barriga da sua própria perna, onde terminou a gestação.

Ao tornar-se adulto, Baco apaixona-se pela cultura da vinha e descobre a arte de extrair o suco da fruta. Porém, a inveja de Hera levou-a a torná-lo louco a vagar por várias partes da Terra. Quando passa pela Frígia, a deusa Cíbele cura-o e o instrui nos seus ritos religiosos. Curado, ele atravessa a Ásia ensinando a cultura da vinha. Quis introduzir o seu culto na Grécia, depois de voltar triunfalmente da sua expedição à Índia, mas encontrou oposição por alguns príncipes, receosos do alvoroço por ele causado.

O rei Penteu proíbe os ritos do novo culto ao aproximar-se de Tebas, sua terra natal. Porém, quando Baco se aproxima, mulheres, crianças, velhos e jovens correm a dar-lhe boas vindas e participar de sua marcha triunfal. Penteu manda seus servos procurarem Baco e levá-lo até ele. Porém, estes só conseguem fazer prisioneiro um dos companheiros de Baco, que Penteu interroga querendo saber desses novos ritos. Este se apresenta como Acetes, um piloto, e conta que, certa vez velejando para Delos, ele e seus marinheiros tocaram na ilha de Dia e lá desembarcaram. Na manhã seguinte, os marinheiros encontraram um jovem de aparência delicada, adormecido, que julgaram ser um filho de um rei, e que conseguiriam uma boa quantia em seu resgate. Observando-o, Acetes percebe algo superior aos mortais no jovem, e pensa se tratar de alguma divindade, e pede perdão a ele pelos maus tratos. Porém seus companheiros, cegados pela cobiça, levam-no a bordo, mesmo com a oposição de Acetes. Os marinheiros mentem, dizendo que levariam Baco (pois era realmente ele) onde ele quisesse estar, e Baco responde dizendo que Naxos era sua terra natal e que se eles o levassem até lá seriam bem recompensados. Eles prometem fazer isso e dizem a Acetes para levar o menino a Naxos.

Porém, quando ele começa a manobrar em direção a Naxos, ouve sussurros e vê sinais de que deveria levá-lo ao Egito para ser vendido como escravo, e se recusa a participar do ato de baixeza.

Baco percebe a trama, olha para o mar entristecido, e de repente a nau para no meio do mar, como se fincada em terra. Assustados, os homens impelem seus remos e soltam mais as velas, tudo em vão. O cheiro agradável de vinho se alastra por toda a nau e percebe-se que vinhas crescem, carregadas de frutos sob o mastro e por toda a extensão do casco do navio e ouve-se sons melodiosos de flauta.


Baco aparece com uma coroa de folhas de parra empunhando uma lança enfeitada de hera. Formas ágeis de animais selvagens brincam em torno de sua figura. Os marinheiros levados à loucura, começam a se atirar para fora do barco e, ao atingir a água, seus corpos se achatavam e terminavam numa cauda retorcida. Os outros começam a ganhar membros de peixes, suas bocas alargam-se e narinas dilatam, escamas revestem-lhes todo o corpo e ganham nadadeiras em lugar dos braços.


Toda a tripulação fora transformada e dos 20 homens só restava Acetes, trêmulo de medo. Baco, porém, pede para que nada receie e navegue em direção a Naxos, onde encontra Ariadne e a toma como esposa. Cansado de ouvir aquela historia, Penteu manda aprisionar Acetes. E enquanto eram preparados os instrumentos de execução, as portas da prisão se abrem sozinhas e caem as cadeias que prendiam os membros de Acetes. Não se dando por vencido, Penteu se dirige ao local do culto, encontrando sua própria mãe cega pelo deus que, ao ver Penteu, manda as suas irmãs atacarem-no, dizendo ser um javali, o maior monstro que anda pelos bosques. Elas avançam, e ignorando as súplicas e pedidos de desculpa, matam-no.


Assim, é estabelecido na Grécia o culto de Baco. Certa vez, seu mestre e pai de criação, Sileno, perdeu-se e, dias depois, quando Midas o levou de volta e disse tê-lo encontrado perdido, Baco concedeu a ele um pedido. Embora entristecido por ele não ter escolhido algo melhor, deu a ele o poder de transformar tudo o que tocasse em ouro. Depois, sendo ele uma divindade benévola, ouve as súplicas do mesmo para que tirasse dele esse poder.


Baco ensinou o homem a cultivar os vinhedos, tornando-se, por excelência, o Deus do Vinho e dos efeitos que essa bebida causa sobre a mente. Patrocinava as festas e as comemorações, principalmente aquelas em que a luxúria imperava - comuns durante o antigo mundo clássico, com especial destaque para o período do Império Romano.

Era sempre representado com folhas de parreira e cachos de uva adornando a cabeça. Muitas vezes tinha atitudes debochadas, lânguidas, ou até mesmo efeminadas, o que fazia um perfeito conjunto com as peles de felinos que gostava de usar. Apaixonou-se perdidamente por Ariadne, filha do rei Minos e amada do herói Teseu, vindo a desposá-la.

TÊMIS - era a deusa grega guardiã dos juramentos dos homens e da lei, sendo que era costumeiro invocá-la nos julgamentos, perante os magistrados. Por isso, foi por vezes tida como deusa da justiça, título atribuído, na realidade, a Diké.


Era filha de Urano(o céu, o paraíso) e de Gaia(a Terra), e segunda mulher de Zeus. Era uma divindade da segunda geração, criada, juntamente com Nêmesis — a deusa da ética — pelas moiras.

Têmis empunha a balança, com que equilibra a razão com o julgamento, e/ou uma cornucópia; mas não é representada segurando uma espada. Tinha três filhas: Eumônia - a Disciplina, Diké – a Justiça, e Eiriné – a Paz. Foi ela que fez da sua filha Diké (ou Astraea), que viveu junto aos homens na Idade do Ouro, Deusa da Justiça.

Têmis é filha de Gaia e Urano e pertence, portanto, ao mundo pré-olímpico dos Titãs, do qual ela, Leto e outras Titânides aparecem mais tarde entre os olímpicos. Seu nome significa "aquela que é posta, colocada". Sua equivalente romana era a Deusa Justitia.

Têmis, quando ainda criança, foi entregue, por Gaia, aos cuidados de Nix, que acabara de Gerar Nêmesis. O objetivo de Gaia era proteger Têmis do enlouquecimento de Urano. Porém Nix estava cansada, pois gerara incessantemente seus filhos. Então Nix entrega sua filha Nêmesis e a sobrinha Têmis aos cuidados de suas mais velhas filhas, as Deusas Moiras (Cloto, Laquésis e Atropo).

As Moiras criam as duas Deusas infantes e lhes ensinam tudo sobre a ordem cósmica e natural das coisas, e a importância de zelar pelo equilibrio. As Moiras são as Deusas do destino, tanto dos homens quanto dos Deuses, e suas decisões não podem ser transgredidas por ninguém. Desta criação, temos a origem das semelhanças das duas lindas e poderosas Deusas criadas como irmãs: Têmis, a Deusa da justiça, e Nêmesis, a Deusa da retribuição.

Há uma versão errada que diz as Moiras eram filhas de Têmis, o que gerou  confusão. Possivelmente foram confundidas com as Horas (ciclospresentes na natureza, estações, clima, vegetação, etc), que também agem nas energias ciclicas da natureza, assim como as Moiras (ciclos vitais da vida, nascer, crescer, etc). Têmis, na mitologia grega, é a deusa da justiça, da Lei e da ordem. É a protetora dos oprimidos.

Foi a segunda esposa de Zeus, sentava-se ao lado de seu trono pois era sua conselheira. Considerada, para a mitologia, a personificação da Ordem e do Direito divino, ratificados pelo Costume e pela Lei.


Inicialmente, Têmis era representada como uma divindade de olhar austero, seus olhos ainda não eram vendados, e segurava uma balança em uma das mãos, o que, até hoje, simboliza o equilíbrio entre as partes envolvidas em uma relação de Direito.

A imagem da Têmis, como conhecemos hoje, passou a ter a venda nos olhos por criação de artistas alemães do século XVI. Citada faixa simboliza imparcialidade, quer dizer que a Têmis, por ser a própria exteriorização da Justiça, não vê diferenças entre as partes em litígio, sejam ricos ou pobres, poderosos ou humildes, grandes ou pequenos. Suas decisões, justas e prudentes, não são fundamentadas na personalidade, nas qualidades das pessoas ou, ainda, no seu poder, mas apenas, na sabedoria das leis.

Outros símbolos: a lâmpada, a manjerona e "pudenda muliebria". O significado da manjerona é sexual e tem ligação com a fertilidade. Esta planta misteriosa é uma planta lunar e tem ligação com a influência fertilizadora da Lua sobre a Terra. Mas a manjerona também tem ligação direta com outro emblema de Têmis, "pudenda muliebria", que vincula a Deusa à fertilidade e à sexualidade, de modo direto e inequívoco. Sabe-se que havia orgias vinculadas ao culto de Têmis e, certamente, estes ritos eram de natureza sexual.

Oráculos

Têmis não representa a matéria em si, como sua mãe Gaia, mas uma qualidade da terra, ou seja, sua estabilidade, solidez e imobilidade. Ela é uma deusa que falava com os homens através dos oráculos. O mais famoso de todos os templos oraculares da Grécia Antiga, Delfos, pertencia, originalmente, a Gaia, que o passou à filha Têmis. Depois disso, ele foi de Febe, e só no fim, foi habitado por Apolo. Há pesquisadores que afirmam, no entanto, que Têmis é o próprio princípio oracular, de modo que, em vez de ter havido quatro estágios de ocupação do oráculo Delfos, foram só três: Gaia-Têmis, Febe-Têmis e Apolo-Têmis.

Portanto, Têmis tinha máxima ligação com a questão das previsões oraculares e, no fundo, representa a boca oracular da terra, a própria voz da Terra, ou seja, Têmis é a terra falando.

Quando o titã Prometeu foi acorrentado ao Monte Cáucaso, Têmis profetizou que ele seria libertado. Sua profecia se concretizou quando Héracles (ou Hércules), salvou-o do seu castigo. Foi Têmis quem alertou Zeus que o filho de Tétis seria uma ameça à seu pai.

Ajudou Deucalião e Pirra a formar a humanidade após o dilúvio enviado como castigo por Zeus, profetizando que ambos deveriam "jogar os ossos de sua mãe para trás das costas". Pirra ficou temerosa de cometer algum sacrilégio ao profanar os ossos de sua mãe, não captando o sentido da profecia. Deucalião, porém, entendeu tratar-se de pedras os ossos da deusa-Terra, mãe de todos os seres. Assim, ele atirou pedras para trás e delas surgiram homens.

Os oráculos dados por Têmis não profetizavam só o futuro, mas eram, ainda, mandamentos das leis da natureza às quais os homens deveriam obedecer. A Deusa nos fala de uma ordem e de uma lei naturais que precedem as noções culturalmente condicionadas da organização e das regras derivadas das necessidades de uma sociedade.

Alguns pensadores crêem ser Têmis uma abstração das noções humanas de uma justiça de uma cultura específica, presumivelmente matrifocal. Uma visão arquetípica sustentaria que Têmis não é o produto da organização social, mas o pressuposto para tanto. Sua existência psicológica precede-o e subjaz ao entendimento humano do que ela quer dizer ou ensinará. A visão arquetípica localizaria sua origem na natureza psíquica, no inconsciente coletivo, ao invés de localizá-la na cultura e na consciência coletiva. Ela não é secundária, e sim fundamental.

Entretanto, nos cultos à Têmis eram celebrados os "mistérios" ou "orgias", emprestando-lhe a visão que ela era uma Deusa genuína, e não uma simples personificação da idéia abstrata de legalidade. Têmis é a Deusa oracular da Terra, ela defende e fala em nome da Terra, do enraizamento da humanidade em uma inabalável ordem natural.

Olimpo

Um dos atributos de Têmis é sua grande beleza, além do poder de atração de sua dignidade. Sua atratividade física é confirmada pelo mito em que Zeus a persegue com seu estilo desenfreado e, finalmente, a desposa. Em outra versão, após Zeus devorar Métis grávida, as Moiras levam Têmis até Zeus para se tornar a segunda esposa de Zeus, e as Moiras profetizam que Zeus precisa e tem muito a aprender com Têmis, que é tão sábia quanto Métis.

Seu mais ardente adversário no Olimpo foi Ares, o deus da guerra, cujo apetite por violência e sede de sangue não conhecia limites. Não porque Têmis fosse contra a guerra, mas agia com motivos de ordem ambiental, pois a guerra reduziria a população humana. Na qualidade de mãe das Horas (e pai Zeus), Têmis está também por trás da progressão ordenada do tempo na natureza. As Horas representavam a ordenação natural do cosmo: inverno e depois primavera, dia depois a noite, uma hora após a outra.

Sua outra filha com Zeus, Astréia, Deusa virgem protetora da humanidade e que simboliza a pureza e a inocência, também era uma deusa da justiça. Conta-se que ela deixou a Terra no fim da Idade do Ouro para não presenciar as aflições e sofrimentos da humanidade durante as idades do Bronze e do Ferro. No céu, ela tornou-se a constelação de Virgem. Também a balança de Têmis, que Astréia carregava, foi transformada em uma constelação, Libra.

As Horas ou Estações (filhas de Zeus e Têmis) são: Irene (paz), Dike (justiça) e Eumônia (disciplina); estas são as Horas mais velhas e estão ligadas a legislação e ordem natural, sendo uma extensão dos atributos de Têmis. Esta última está relacionada com a representação da divindade da justiça. Temis e Dike elucidam o lado ético do instinto, a voz miúda e calma, no seio do impulso. Dike, para a humanidade, é a função de base instintual muito sintônica com o que chama de instinto para reflexão.

Existem mais nove Horas que são guardiãs da ordem natural, do ciclo anual de crescimento da vegetação e das estações climáticas anuais. (Talo, Carpo, Auxo, Acme, Anatole, Dysis, Dicéia, Eupória, Gymnásia)

Ao presidir as reuniões de cunho político do Olimpo, Têmis manifesta o teor organizacional de sua dignidade e justiça. Têmis congregava as reuniões com seriedade moral e obrigava os grandes e poderosos a ouvir, de modo consciencioso, as objeções e contribuições dos irmãos e irmãs menos proeminentes. A Deusa opunha-se à dominação de um sobre muitos e apoiava a unidade mais que a multiplicidade, a totalidade mais do que a fragmentação, a integração mais do que a represão. Nessa atividade de contenção e vinculação, Têmis revela o princípio operado pela consciência feminina: a lei do amor.

Têmis era a deusa da consciência coletiva e da ordem social, da lei espiritual divina, paz, ajuste de divergências, justiça divina, encontros sociais, juramentos, sabedoria, profecia, ordem, nascimentos, cortes e juízes. Foi também inventora das artes.

Zeus e Têmis

Têmis foi a segunda esposa de Zeus, depois de Métis e antes de Hera. Foi ela que temperou o poder de Zeus com muita sabedoria e com seu profundo respeito pelas leis naturais. Sendo uma Titã, suas raízes são instintivas e pré-olimpicas e estende-se à frente, para incluir uma visão cósmica das operações finais e essenciais do universo inteiro.

Além de esposa e conselheira, Têmis é também mentora de Zeus. Em um mito, ela aparece como ama de leite de Zeus bebê, ensinando-o a respeitar a justiça. No casamento de Zeus e Têmis vemos duas forças, uma solar e outra lunar, trabalharem coligadas com poucos conflitos a serem observados. Zeus era o rei todo-poderoso, absoluto, um padrão arquetípico que governa a consciência coletiva, que tanto cria como mantém uma coletividade. Mas é Têmis, que movimentando-se dentro de vários outros padrões arquetípicos, desestabiliza o absolutismo e as certezas de Zeus. Ela movimentava-se em uma direção contrária, nunca deixando de incluir o máximo possível. Têmis exercia, portanto, um efeito de abrandamento.

Entretanto, o casamento dos dois não foi de total doce harmonia, pois embora transitasse sabedoria entre eles, os ditames de um e do outro sempre tinham um preço muito elevado, pois nada possui solução definitiva.

Na imagem de Zeus consultando Têmis, podemos aceitar uma boa dose de troca. Zeus é quem rege e decide, enquanto Têmis assume uma atitude mais suave e dá seu toque relativizador que procede de perspectivas mais abrangentes.

EROS (CUPIDO) - Para os antigos Gregos, era o amor uma força primordial e onipresente originada com o universo no momento da criação. Durante o Império Romano, foi identificado como a personificação de um Deus que representava o amor na sua forma mais intensa, a paixão, filho das divindades Afrodite (Vênus) e Ares (Marte). Logo que Júpiter o viu nascer, calculando o trabalho que iria dar, mandou que a mãe se desfizesse dele; mas Vênus escondeu a criança na floresta, onde a alimentou com leite de cabra. Lá, ele fez o famoso dardo e experimentou-o em animais, antes de fazê-lo contra homens. Apesar de haver diferenças essenciais entre o que as duas civilizações, Grega e Romana, acreditavam ser esse Deus, seus mitos estão, geralmente, associados um ao outro. Eros (Cupido) é representado como um belo garoto armado com arco e flecha. Seu dom irresistível podia trazer tanto a felicidade como a infelicidade aos envolvidos.


Eros (Cupido, no panteão romano) era o deus grego do amor. Hesíodo, na sua Teogonia, considera-o filho de Caos, portanto um deus primordial. Além de o descrever como sendo muito belo e irresistível, levando a ignorar o bom senso, atribui-lhe também um papel unificador e coordenador dos elementos, contribuindo para a passagem do caos ao cosmos. Posteriormente, foi considerado como um deus olímpico, filho de Afrodite e de Zeus, Hermes ou Ares, conforme as versões. Tendo, certa vez, Afrodite desabafado com Métis, queixando-se que seu filho continuava sempre criança, a deusa da prudência lhe explicou que era porque Eros era muito solitário. Haveria de crescer, se tivesse um irmão. Anteros nasceu pouco depois e, Eros começou a crescer e tornar-se robusto.

Já Platão, no Banquete, descreve assim o nascimento de Eros, elucidando alguns detalhes até mesmo do aspecto erótico:

Quando nasceu Afrodite, os deuses banquetearam, e entre eles estava Poros (o Expediente), filho de Métis. Depois de terem comido, chegou Pínia (a Pobreza) para mendigar, porque tinha sido um grande banquete, e ela estava perto da porta. Aconteceu que Poros, embriagado de néctar, dado que ainda não havia vinho, entrou nos jardins de Zeus e, pesado como estava, adormeceu. Pínia, então, pela carência em que se encontrava de tudo o que tem Poros, e cogitando ter um filho de Poros, dormiu com ele e concebeu Eros. Por isso, Eros tornou-se seguidor e ministro de Afrodite, porque foi gerado durante as suas festas natalícias; e também era por natureza amante da beleza, porque Afrodite também era bela.

Pois que Eros é filho de Pínia e Poros, eis qual é a sua condição. É sempre pobre, não é de maneira alguma delicado e belo como geralmente se crê; mas sujo, hirsuto, descalço, sem teto. Deita-se sempre por terra e não possui nada para cobrir-se, descansa dormindo ao ar livre sob as estrelas, nos caminhos e junto às portas. Enfim, mostra claramente a natureza da sua mãe, andando sempre acompanhado da pobreza. Ao invés, da parte do pai, Eros está sempre à espreita dos belos de corpo e de alma, com sagazes ardis. É corajoso, audaz e constante.

Eros é um caçador temível, astucioso, sempre armando intrigas. Gosta de invenções e é cheio de expediente para consegui-las. É filósofo o tempo todo, encantador poderoso, fazedor de filtros, sofista. Sua natureza não é nem mortal nem imortal; no mesmo dia, em um momento, quando tudo lhe sucede bem, floresce bem vivo e, no momento seguinte, morre; mas depois retorna à vida, graças à natureza paterna. Mas tudo o que consegue, pouco a pouco, sempre lhe foge das mãos. Em suma, Eros nunca é totalmente pobre nem totalmente rico.

Eros casou-se com Psiquê, com a condição de que ela nunca pudesse ver o seu rosto, pois isso significaria perdê-lo. Mas Psiquê, induzida por suas invejosas irmãs, observa o rosto de Eros à noite sob a luz de uma vela. Encantada com tamanha beleza do deus, se distrai e deixa cair uma gota de cera sobre o peito de seu marido, que acorda. Irritado com a traição de Psiquê, Eros a abandona. Esta, ficando perturbada, passa a vagar pelo mundo até se entregar à morte. Eros, que também sofria pela separação, implora para que Zeus tenha compaixão deles. Zeus o atende e Eros resgata sua esposa e passam a viver no Olimpo. Com Psiquê teve trigêmeos: Eros II, Volúptas e Volúptia


ÍRIS - Na mitologia grega, Íris era a filha de Taumante e de Electra, uma das oceânidas (segundo Hesíodo), a personificação do arco-íris e mensageira dos deuses. Como o arco-íris para unir a Terra e o céu, Íris é a mensageira dos deuses para os seres humanos; neste contexto, ela é frequentemente mencionada na Ilíada, mas jamais na Odisséia, onde Hermes toma seu lugar. Íris é representada como uma virgem com asas de ouro, que se move com a leveza do vento de um lado para outro do mundo, nas profundezas dos oceanos e no mundo subterrâneo (Hades). Ela é especialmente a mensageira de Hera, e é associada com Hermes.


HEBE - Na mitologia grega, Hebe é a deusa da juventude, filha legítima de Zeus e Hera. Por ter o privilégio da eterna juventude, representava a donzela consagrada aos trabalhos domésticos. Assim, cumpria no Olimpo diversas obrigações: preparava o banho de Ares, ajudava Hera a atrelar seu carro e servia néctar e ambrosia aos deuses. Um dia, quando executava essa tarefa, caiu numa posição inconveniente. Segundo uma versão, os olímpicos puseram-se a rir sem parar e a jovem, envergonhada, negou-se a continuar servindo-os. Foi substituída pelo mortal Ganimedes. Hebe dançava com as Musas e as Horas, ao som da lira de Apolo. Esposou Héracles (ou Hércules), quando o herói, após sua morte, foi admitido entre as divindades.

As Graças - Cárites na Mitologia Grega, são as deusas da dança, dos modos e da graça do amor, são seguidoras de Vênus e dançarinas do Olimpo.

Apesar de pouco relevantes na mitologia greco-romana, a partir do Renascimento as Graças se tornaram símbolo da idílica harmonia do mundo clássico.

Graças, nome latino das Cárites gregas, eram as deusas da fertilidade, do encantamento, da beleza e da amizade. Ao que parece, seu culto se iniciou na Beócia, onde eram consideradas deusas da vegetação. O nome de cada uma delas varia nas diferentes lendas. Na Ilíada de Homero aparece uma só Cárite, esposa do deus Hefesto.

Existem variações regionais, sendo que o trio mais freqüente é:
Aglaia - a claridade;
Tália - a que faz brotar flores;
Eufrosina - o sentido da alegria;

Eram filhas de Zeus e Hera, segundo umas versões, e de Zeus e da deusa Eurínome, segundo outras.

Por sua condição de deusas da beleza, eram associadas com Afrodite, deusa do amor. Também se identificavam com as primitivas musas, em virtude de sua predileção pelas danças corais e pela música. Nas primeiras representações plásticas, as Graças apareciam vestidas; mais tarde, contudo, foram representadas como jovens desnudas, de mãos dadas; duas das Graças olham numa direção e a terceira, na direção oposta.

Esse modelo, do qual se conserva um grupo escultórico da época helenística, foi o que se transferiu ao Renascimento e originou quadros célebres, como "A primavera", de Botticelli, e "As três Graças", de Rubens.

As Musas - são entidades mitológicas a que são atribuídas capacidade de inspirar a criação artística ou científica; na Grécia, eram as nove filhas de Mnemosine e Zeus. Musa, no singular, é a figura feminina real ou imaginária que inspira a criação. O correspondente masculino seria o fauno; todavia, este ser não tem exatamente a mesma capacidade inspiradora na mitologia. O templo das musas era o Museion, termo que deu origem à palavra museu, nas diversas línguas indo-européias, como local de cultivo e preservação das artes e ciências.
Mnemósine, a deusa da memória, foi possuída por Zeus durante nove noites consecutivas e, um ano depois, Mnemósine deu à luz nove filhas em um lugar próximo ao monte Olimpo. Criou-as ali o caçador Croto, que depois da morte foi transportado pelo céu até a constelação de Sagitário.

As musas cantavam o presente, o passado e o futuro, acompanhados pela lira de Apolo, para deleite das divindades do panteão. Eram, originalmente, ninfas dos rios e lagos. Seu culto era originário da Trácia ou em Pieria, região a leste do Olimpo, de cujas encostas escarpadas desciam vários córregos produzindo sons que sugeriam uma música natural, levando a crer que a montanha era habitada por deusas amantes da música. Nos primórdios, eram apenas deusas da música formando um maravilhoso coro feminino. Posteriormente, suas funções e atributos se diversificaram.

Clio (a que confere fama) era a musa da História, sendo símbolos seus o clarim heróico e a clepsidra. Costumava ser representada sob o aspecto de uma jovem coroada de louros, tendo na mão direita uma trombeta e na esquerda um livro intitulado "Tucídide". Aos seus atributos acrescentam-se, ainda, o globo terrestre sobre o qual ela descansa, e o tempo que se vê ao seu lado, para mostrar que a história alcança todos os lugares e todas as épocas.

Euterpe (a que dá júbilo) era a musa da poesia lírica e tinha por símbolo a flauta, sua invenção. Ela é uma jovem que aparece coroada de flores, tocando o instrumento de sua invenção. Ao seu lado estão papéis de música, oboés e outros instrumentos. Por estes atributos, os gregos quiseram exprimir o quanto as letras encantam àqueles que as cultivam.


Tália (a festiva) era a musa da comédia que vestia uma máscara cômica e portava ramos de hera. É mostrada, por vezes, portando também um cajado de pastor, coroada de hera, calçada de borzeguins e com uma máscara na mão. Muitas de suas estátuas têm um clarim ou porta-voz, instrumentos que serviam para sustentar a voz dos autores na comédia antiga.

Melpômene (a cantora) era a musa da tragédia; usava máscara trágica e folhas de videira. Costumava usar uma faca ou bastão em uma mão e uma máscara na outra. O seu aspecto é grave e sério, sempre está ricamente vestida e calçada com coturnos.

Terpsícore (a que adora dançar) era a musa da dança. Também regia o canto coral e portava a cítara ou lira. Apresenta-se coroada de grinaldas, tocando uma lira, ao som da qual dirige a cadência dos seus passos. Alguns autores fazem-na mãe das Sereias.

Érato (a que desperta desejo) era a musa do verso erótico. É uma jovem ninfa coroada de mirto e rosas. Com a mão direita segura uma lira e com a esquerda um arco. Ao seu lado está um pequeno Amor que beija-lhe os pés.

Polímnia (a de muitos hinos) era a musa dos hinos sagrados e da narração de histórias. Costuma ser apresentada em atitude pensativa, com um véu, vestida de branco, em uma atitude de meditação, com o dedo na boca.

Urânia (celeste) era a musa da astronomia, tendo por símbolos um globo celeste e um compasso. Representam-na com um vestido azul-celeste, coroada de estrelas e com ambas as mãos segurando um globo que ela parece medir, ou então tendo ao seu lado uma esfera pousada numa tripeça e muitos instrumentos de matemática. Urânia era a entidade a que os astrônomos/astrólogos pediam inspiração.

Calíope (bela voz), a primeira entre as irmãs, era a musa da eloqüência. Seus símbolos eram a tabuleta e o buril. É representada sob a aparência de uma jovem de ar majestoso, a fronte cingida de uma coroa de ouro. Está ornada de grinaldas, com uma mão empunha uma trombeta e com a outra, um poema épico. Foi amada por Apolo, com quem teve dois filhos: Himeneu e Iálemo. E também por Eagro, que desposou e de quem teve Orfeu, o célebre cantor da Trácia.

Suas moradas, normalmente situadas próximas à fontes e riachos, ficavam na Pieria, leste do Olimpo (musas pierias), no monte Helicon, na Beocia (musas beocias) e no monte Parnaso, em Delfos (musas délficas). Nesses locais, dançavam e cantavam, acompanhadas muitas vezes de Apolo Musagetes (líder das musas - epíteto de Apolo). Eram bastante zelosas de sua honra e puniam os mortais que ousassem presumir igualdade com elas na arte da música. O coro das musas tornou o seu lugar de nascimento um santuário e um local de danças especiais. Também freqüentavam o Monte Hélicon, onde duas fontes, Aganipe e Hipocrene, tinham a virtude de conferir inspiração poética a quem bebesse suas águas. Ao lado das fontes, faziam graciosos movimentos de uma dança, com seus pés incansáveis, enquanto exibiam a harmonia de suas vozes cristalinas.


As nove musas
MusaSignificado do nomeArte ou CiênciaRepresentação (Atributo)
CalíopeA de bela vozPoesia ÉpicaTabuleta ou pergaminho e uma pena para escrita
Clio
Kleio
A ProclamadoraHistóriaPergaminho parcialmente aberto
EratoAmávelPoesia LíricaPequena Lira
EuterpeA doadora de prazeresMúsicaFlauta
MelpômeneA poetisaTragédiaUma máscara trágica, uma grinalda e uma clava
Polímnia
Polyhymnia
A de muitos hinosMúsica Cerimonial (sacra)Figura velada
Tália
Thaleia
A que faz brotar floresComédiaMáscara cômica e coroa de hera ou um bastão
TerpsícoreA rodopianteDançaLira e plectro
UrâniaA celestialAstronomiaGlobo celestial e compasso




As Horas - eram filhas de Zeus e Têmis, originalmente deusas do ano, das estações e da ordem natural necessária à prosperidade do campo. Seu nome deriva do proto-indo-europeu *yor-a, cognato do latim hornus, "deste ano", gótico jer, antigo alemão jar, "ano", alemão moderno Jahr, com o mesmo sentido. Por expansão de sentido, passaram, mais tarde, a personificar, também, a ordem humana e social.

Associadas com as Moiras, que eram suas meias-irmãs, as Horas igualmente faziam às vezes de parteiras dos deuses. Também guardavam as portas do Olimpo, organizando a passagem das estrelas que mediam as estações e dos deuses que deveriam descer à terra.

Participaram dos mitos também fazendo parte do cortejo de deusas e deuses relacionados ao trabalho agrícola e à passagem das estações, principalmente Hera (rainha dos céus), Afrodite (da procriação), Hermes (dos rebanhos) e Perséfone (do renascer da vegetação). Eram também encarregadas de guardar e servir o alimento dos deuses, a ambrosia, e de oferecê-lo aos humanos que viessem a merecer a imortalidade e a divinização.

Foi só muito mais tarde, por ampliação do sentido do latim Horae para qualquer divisão do tempo, que a palavra adquiriu o sentido de divisão do dia em doze partes (originalmente, não se dividia a noite) e as Horas passaram a personificá-las.

Horas em Hesíodo

Na versão mais conhecida nas eras helenística e romana citada por Hesíodo, as Horas eram três:

Dice, Dike ou Dique, (Δίκη, "Justiça"), deusa da justiça humana, enquanto sua mãe, Têmis, era a deusa da justiça divina. Dique (Dike) nasceu como mortal e Zeus a pôs na terra para manter a humanidade no caminho da justiça, mas logo descobriu que isso era impossível e a trouxe para viver a seu lado no Olimpo.

Eunomia (Ευνομία, "Disciplina" ou "Equidade"), deusa das leis e da legislação, às vezes considerada filha de Hermes e Afrodite.

Irene (Ειρήνη, "Paz"), chamada Pax pelos romanos, personificava a paz e a riqueza e era representada como uma jovem carregando uma cornucópia, um cetro ou uma tocha ou um ríton (taça com a forma de um chifre, usada em libações). Hesíodo lhe dava o epíteto de Talo (thallô). Em uma alegoria tardia, aparece casada com Zéfiro, o vento da primavera, e dessa união teria nascido Carpo, o fruto.

Horas Atenienses

Na versão ateniense, possivelmente mais arcaica, as Horas, cultuadas pelos camponeses, eram representadas como jovens rodeadas de flores coloridas, vegetação e outros símbolos de fertilidade. Eram três, representando diretamente as três estações de quatro meses originalmente reconhecidas pelos gregos, a saber, primavera, verão e outono:

Talo (Θαλλώ, Thallô, "broto") ou Tálate, deusa da primavera, dos brotos e dos botões, portadora de flores e protetora da juventude.

Auxo (Αυξώ, Auxô, "cresço") ou Auxésia, também cultuada ao lado de Hegemone em Atenas como uma das suas duas Cárites.

Carpo (Καρπώ, Karpô, "produto", "fruto"), encarregada do outono, do amadurecer e da colheita, bem como de guardar o caminho para o monte Olimpo e afastar as nuvens que rodeavam a montanha quando um dos deuses saía. Era também uma atendente de Perséfone, Afrodite e Hera e era associada com Dioniso, Apolo e Pã.

Horas Argivas

Em Argos, reconhecia-se apenas duas Horas: Dâmia ("Terra-nutriz", possivelmente equivalente a Carpo) e Auxésia. Em interpretações evemeristas tardias, eram vistas com jovens cretenses adoradas como deusas, depois de terem sido injustamente lapidadas até a morte.

O pseudo-Higino cita mais uma versão que lista três Horas: Ferusa (Pherousa, "a que traz (substância)"), Euporia ("Abundância") e Ortósia (Orthosie, "Prosperidade").

Nonnus, na Dionisíaca, cita quatro Horas: Iar (Eiar, "Primavera"), Tero (Theros, "Verão), Quimo (Cheimon, "Outono") e Ftinóporo (Phthinoporon, "Inverno").

As Horas do Dia:

Um conjunto de doze Horas passou a personificar as doze horas do dia (do nascer ao pôr do Sol), como suas deusas tutelares:

Auge, a primeira luz
Anatole ou Anatólia, "Nascer-do-sol"
Música (Mousika), a hora matinal de estudo da música
Ginástica (Gymnastika ou Gymnasia), a hora matinal do exercício físico
Ninfa (Nymphe), hora matinal do banho
Mesêmbria, "Meio-dia"
Esponda (Sponde), hora das libações após a refeição
Elete, "rezadora", primeira hora de trabalho da tarde
Acte (Akte, "comer") ou Cípris (epíteto de Afrodite, relacionada a prazer), a segunda das horas de trabalho da tarde
Hésperis, a tarde
Dísis (Dysis), "Pôr-do-sol"
Arctos (Arktos), Constelação da noite (Ursa Maior).




As Parcas - Em Roma, as Parcas (equivalentes às Moiras na mitologia grega) eram três deusas: Nona (Cloto), Décima (Láquesis) e Morta (Átropos).

Determinavam o curso da vida humana, decidindo questões como vida e morte, de maneira que nem Júpiter (Zeus) podia contestar suas decisões.


Nona tecia o fio da vida, Décima cuidava de sua extensão e caminho, Morta cortava o fio. Eram também designadas fates, daí o termo em inglês "fate"(destino). É interessante notar que em Roma se tinha a estrutura de calendário solar para os anos, e lunar para os atuais meses.

A gravidez humana é de nove luas, não nove meses; portanto, Nona tece o fio da vida no útero materno até a nona lua; Décima representa o nascimento efetivo, o corte do cordão umbilical, o início da vida terrena, o individuo definido, a décima lua. Morta é a outra extremidade, o fim da vida terrena, que pode ocorrer a qualquer momento.

As três Moiras são:


Cloto, a fiandeira, representa a que tece a teia da vida;
Átropos, a que cortava o fio da vida;
Láchesis, a que distribui a parte que cabe a cada alma.




Fonte: http://www.espiritualismo.info/







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